O petróleo sobe 2% com os investidores avaliando as negociações na Ucrânia em relação às perspectivas de oferta

Os preços do petróleo subiram mais de US$ 1 nesta segunda-feira, enquanto os investidores avaliavam as negociações entre os presidentes dos EUA e da Ucrânia sobre um possível acordo para encerrar a guerra na Ucrânia, em contraste com a potencial interrupção do fornecimento de petróleo no Oriente Médio.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 1,27, ou 2,1%, para US$ 61,91 o barril às 09:00 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA subiu US$ 1,29, ou 2,3%, para US$ 58,03.

Ambos os índices de referência caíram mais de 2% na sexta-feira.

“Os mercados de energia subiram, impulsionados pelos desenvolvimentos geopolíticos que sustentaram os preços do petróleo bruto, com o Brent registrando leve alta devido às renovadas tensões no Oriente Médio e às mudanças nas negociações de paz na Ucrânia”, disse o analista da IG, Axel Rudolph, acrescentando que a baixa liquidez pode amplificar a volatilidade no início do próximo ano.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, afirmou na segunda-feira que progressos significativos foram alcançados nas negociações com seu homólogo americano, Donald Trump, e concordou que equipes dos EUA e da Ucrânia se reunirão na próxima semana para finalizar questões com o objetivo de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.

Zelenskiy acrescentou que um encontro com a Rússia só seria possível depois que Trump e os líderes europeus chegassem a um acordo sobre a estrutura de paz proposta pela Ucrânia.

“O Oriente Médio também tem estado instável recentemente, com os ataques aéreos sauditas no Iêmen… isso pode ser o que está alimentando as preocupações do mercado sobre possíveis interrupções no fornecimento”, disse Yang An, analista da Haitong Futures na China.

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, deverá reduzir o preço de fevereiro do seu principal petróleo bruto, o Arab Light, para compradores asiáticos pelo terceiro mês consecutivo, refletindo as quedas no mercado à vista devido à oferta abundante, disseram seis fontes do setor de refino na Ásia em uma pesquisa da Reuters.

Os investidores também aguardam os dados dos estoques dos EUA referentes à semana encerrada em 19 de dezembro. Uma pesquisa ampliada da Reuters indica que os estoques de petróleo bruto dos EUA devem ter caído na semana passada, enquanto os estoques de destilados e gasolina provavelmente aumentaram.

O relatório foi divulgado com atraso, em relação à sua publicação habitual de quarta-feira, devido ao feriado de Natal.

As fortes importações chinesas de petróleo bruto transportado por via marítima também estavam mantendo os mercados mais apertados em outros lugares, disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo. Ele acrescentou que US$ 60 por barril era o piso mínimo para o Brent, com os preços previstos para se recuperarem ligeiramente em 2026, porque o crescimento da oferta de países não pertencentes à OPEP+ provavelmente estagnará em meados de 2026.

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 29/12/2025, às 06:05 (horário de Brasília)