Petróleo cai 5% com desescalada entre EUA e Irã
Os preços do petróleo caíram 5% nesta segunda-feira, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã estava “conversando seriamente” com Washington, sinalizando uma redução das tensões com um membro da OPEP, enquanto um dólar mais forte também pressionou os preços.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 3,50, ou 5%, para US$ 65,86 por barril às 07:03 (horário de Brasília). O petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caiu US$ 3,42, ou 5,2%, para US$ 61,79 por barril.
Os preços do Brent e do WTI caíram após registrarem sua maior alta mensal desde 2022 em janeiro, com a diminuição dos riscos de um ataque militar ao Irã após as declarações de Trump no fim de semana. O Brent valorizou 16% em janeiro, enquanto o WTI subiu 13%.
A ausência de uma escalada das tensões no Oriente Médio, bem como a diminuição das interrupções no fornecimento nos EUA e no Cazaquistão, pressionaram os preços do petróleo, afirmou o analista da UBS, Giovanni Staunovo.
No sábado, Trump disse a repórteres que o Irã estava “conversando seriamente”, horas depois de o principal oficial de segurança de Teerã, Ali Larijani, ter afirmado que os preparativos para as negociações estavam em andamento.
Trump ameaçou repetidamente o Irã com intervenção caso o país não concordasse com um acordo nuclear ou continuasse matando manifestantes. As ameaças persistentes sustentaram os preços do petróleo ao longo de janeiro, afirmou Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
A fraqueza do petróleo nesta manhã é resultado da combinação do desaparecimento do prêmio de risco geopolítico, à medida que os EUA e o Irã demonstram uma disposição cautelosa para negociar, e da valorização do dólar devido à nomeação do próximo presidente do Federal Reserve, afirmou o analista da PVM, Tamas Varga.
A queda também foi impulsionada por uma liquidação generalizada nos mercados de commodities, liderada por perdas acentuadas no ouro e na prata, que os analistas atribuíram em parte a um dólar americano mais forte.
“A recente queda também foi reforçada pela valorização do dólar americano, o que normalmente encarece o petróleo cotado em dólares para compradores fora dos EUA, pressionando ainda mais os preços”, disse Sachdeva.
Analistas afirmaram que as preocupações com a possibilidade da oferta global de petróleo exceder a demanda voltaram a ser o foco das atenções após a redução da tensão no Oriente Médio.
Em reunião realizada no domingo, a OPEP+ concordou em manter inalterada sua produção de petróleo para março. Em novembro, o grupo havia congelado os aumentos planejados para o período de janeiro a março de 2026 devido à queda sazonal no consumo.
“Os riscos geopolíticos mascaram um mercado de petróleo fundamentalmente pessimista”, afirmou a Capital Economics em nota divulgada em 30 de janeiro.
“O exemplo histórico da guerra de 12 dias do ano passado (entre Israel e Irã), e um mercado de petróleo bem abastecido, ainda exercerão pressão sobre os preços do petróleo Brent até o final de 2026.”
Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 01/02/2026, às 20:20 (horário de Brasília)