Rússia bombardeia instalações energéticas ucranianas antes de negociações de paz

A Rússia bombardeou instalações de energia ucranianas com centenas de drones e dezenas de mísseis na terça-feira, deixando centenas de milhares de famílias sem aquecimento em temperaturas congelantes, um dia antes de novas negociações de paz, disseram autoridades ucranianas.

A capital Kiev e a segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, foram alvo de ataques aéreos noturnos que, segundo o ministro da Energia ucraniano, ocorreram em oito regiões e seguiram-se a uma breve moratória sobre ataques a instalações de energia.

A Rússia lançou 450 drones e mais de 70 mísseis, e pelo menos nove pessoas ficaram feridas em ataques que atingiram prédios residenciais e infraestrutura energética, disseram autoridades ucranianas. O fornecimento de eletricidade e aquecimento foi interrompido em muitas áreas, com temperaturas em torno de -20 graus Celsius (-4 graus Fahrenheit) ou abaixo disso.

“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia”, escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy no Telegram, acusando Moscou de escolher “o terror e a escalada”.

Ele se referia às negociações envolvendo autoridades russas, ucranianas e americanas, agendadas para quarta e quinta-feira em Abu Dhabi, enquanto Washington tenta intermediar o fim de quase quatro anos de guerra desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.

A primeira rodada de negociações trilaterais no final de janeiro não resultou em avanços na questão crucial do território, com Moscou exigindo que Kiev cedesse mais terras no leste da Ucrânia, o que o país se recusa a fazer.

Zelensky afirmou que a Ucrânia, que luta para conter o avanço russo no campo de batalha, está pronta para negociações “substantivas”. Moscou e Kiev se acusam mutuamente pelo fracasso nas negociações de um acordo de paz.

Temperaturas abaixo de zero

Kiev está sob pressão dos EUA para aceitar um acordo de paz, enquanto os ataques da Rússia ao sistema energético da Ucrânia parecem ter como objetivo paralisá-la e forçá-la à submissão durante um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.

A Rússia e a Ucrânia disseram na semana passada que haviam suspendido os ataques à infraestrutura energética uma da outra, mas discordaram sobre o prazo da moratória e houve novamente ataques generalizados a instalações energéticas ucranianas durante a noite.

Entre as infraestruturas atingidas durante a noite, encontravam-se instalações para aquecer água para distribuição nas casas ucranianas.

“Centenas de milhares de famílias, incluindo crianças, foram deliberadamente deixadas sem aquecimento durante as condições climáticas mais rigorosas do inverno, com temperaturas caindo para −25 °C”, escreveu o Ministro da Energia, Denys Shmyhal, no X.

Em Kyiv, repórteres da Reuters ouviram uma série de fortes explosões após a meia-noite.

As autoridades locais informaram que 1.170 prédios de apartamentos na capital ficaram sem aquecimento devido ao ataque.

Os ataques causaram danos em cinco distritos de Kiev, atingindo três blocos de apartamentos e um prédio que abriga um jardim de infância, disse Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade, no Telegram.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram chamas consumindo um apartamento nos andares superiores de um prédio em Kiev. O alerta de ataque aéreo permaneceu em vigor por mais de cinco horas.

Na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, o prefeito Ihor Terekhov afirmou que os ataques tiveram como alvo a infraestrutura de energia, deixando mais de 800 prédios sem aquecimento, já que a água foi drenada dos sistemas de radiadores para evitar que congelassem no frio intenso.

“O objetivo é óbvio: causar a máxima destruição e deixar a cidade sem aquecimento em pleno frio”, escreveu Terekhov no Telegram.

O vice-primeiro-ministro Oleksiy Kuleba afirmou que 110 mil imóveis em Kharkiv ficaram sem aquecimento após o ataque.

A emissora pública Suspilne também informou que os ataques russos deixaram duas cidades da região de Kharkiv sem energia elétrica, Izium e Balakliia, e atingiram dois prédios de apartamentos na cidade de Sumy, no norte do país.

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 02/02/2026, às 17:23 (horário de Brasília)