Ucrânia e Rússia iniciam a segunda rodada de negociações de paz mediadas pelos EUA em Abu Dhabi
Negociadores ucranianos e russos iniciaram nesta quarta-feira a segunda rodada de conversas mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, buscando avançar nos esforços para pôr fim ao maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Os encontros trilaterais de dois dias acontecem depois que o presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que a Rússia explorou uma trégua energética apoiada pelos EUA na semana passada para estocar munições, atacando a Ucrânia com um número recorde de mísseis balísticos na terça-feira.
“Uma nova rodada de negociações começou em Abu Dhabi. O processo de negociação teve início em formato trilateral — Ucrânia, Estados Unidos e Rússia”, disse Rustem Umerov, principal negociador da Ucrânia, no aplicativo Telegram.
Umerov afirmou que as equipes também se reuniriam em grupos separados para discutir linhas de negociação específicas e, em seguida, realizariam uma reunião conjunta para sincronizar as posições.
Persistem as principais divergências em pontos-chave
Ao longo do último ano, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou Kiev e Moscou para que encontrassem um acordo para pôr fim ao conflito de quatro anos, desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, mas os dois lados continuam muito distantes em pontos-chave, apesar de várias rodadas de negociações com autoridades americanas.
As questões mais sensíveis são as exigências de Moscou para que Kiev ceda as terras que ainda controla e o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, que fica em uma área ocupada pela Rússia.
Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região leste de Donetsk, incluindo um cinturão de cidades fortemente fortificadas considerado uma das defesas mais fortes da Ucrânia, como condição prévia para qualquer acordo.
A Ucrânia afirmou que o conflito deve ser congelado ao longo da atual linha de frente e rejeitou qualquer retirada unilateral de suas forças.
Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas, tomadas antes da invasão de 2022.
Analistas militares afirmaram que as forças russas conquistaram cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.
As pesquisas mostram que a maioria dos ucranianos se opõe a um acordo que entregue terras a Moscou. Moradores de Kiev disseram à Reuters na quarta-feira que estavam céticos quanto à possibilidade de a nova rodada de negociações trazer grandes avanços.
“Vamos torcer para que isso mude (algo), claro. Mas não acredito que vá mudar alguma coisa agora. Não vamos ceder, e eles também não vão ceder”, disse Serhii, de 38 anos, motorista de táxi, à Reuters.
A primeira rodada de negociações foi realizada nos Emirados Árabes Unidos no mês passado, marcando as primeiras negociações públicas diretas entre Moscou e Kiev.
Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 04/02/2026, às 03:56 (horário de Brasília)