A Turquia afirma que pode ser arrastada para a corrida armamentista nuclear por causa do Irã
A Turquia consideraria entrar na corrida armamentista nuclear regional devido a preocupações com as ambições nucleares do Irã, afirmou o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, na noite de segunda-feira.
Ancara não deseja perturbar o frágil equilíbrio de poder na região, o que poderia desencadear uma competição nuclear, disse Fidan em entrevista à CNN Turk. Mas “talvez tenhamos que entrar inevitavelmente nessa corrida”, acrescentou, em resposta à pergunta sobre se a Turquia consideraria o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã uma ameaça.
As declarações de Fidan surgem em meio aos esforços liderados pelos EUA para impedir que o Irã desenvolva capacidade nuclear para armas. A Turquia acusou Israel de possuir tal arsenal e alegou que isso prejudica a estabilidade regional — uma alegação que Israel não confirmou nem negou.
O desenvolvimento de armas nucleares “precisa ser considerado dentro de um contexto mais amplo”, disse Fidan, classificando-o como uma “questão estratégica de alto nível”. O país não possui um programa de armas nucleares e é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Atualmente, está construindo a primeira de três usinas nucleares para geração de energia.
Segundo a Bloomberg Economics, um programa nuclear militar iraniano poderia desencadear uma cascata de proliferação na região, com a Arábia Saudita já tendo confirmado que pretende desenvolvê-lo — embora, por enquanto, não possua as capacidades necessárias.
“A Turquia e o Egito também demonstraram interesse em expandir seus programas nucleares civis. A expansão desses programas também pode representar uma ameaça de proliferação”, afirmou a Bloomberg Economics.
A Turquia abriga dezenas de armas nucleares americanas em sua base aérea de Incirlik, na província de Adana, a cerca de 110 quilômetros da fronteira com a Síria, embora não tenha sido autorizada a transportá-las ou implantá-las.
Referindo-se às negociações entre os EUA e o Irã que ocorreram em Omã na sexta-feira e que estão programadas para continuar esta semana, Fidan disse que os ataques aéreos “não provocariam uma mudança de regime” em Teerã e acrescentou que o Oriente Médio não pode suportar outra guerra.
“Eles não estão fabricando uma bomba atômica”, disse Fidan sobre o Irã. Ele previu que as dúvidas sobre a disposição de Washington em cumprir seus compromissos de segurança com os aliados poderiam desencadear uma futura corrida armamentista nuclear na Ásia e na Europa.
Matéria publicada na Bloomberg, publicada no dia 10/02/2026, às 05:50 (horário de Brasília)