A Agência Internacional de Energia (IEA) afirma que a demanda global por petróleo deverá crescer mais lentamente à medida que os preços se recuperam

A demanda mundial por petróleo crescerá mais lentamente do que o esperado este ano, disse a Agência Internacional de Energia (AIE) nesta quinta-feira, alertando, porém, que o mercado global ainda enfrenta um excedente considerável, apesar das interrupções que reduziram a oferta em janeiro.

Em seu relatório mensal sobre petróleo, a agência projetou que a oferta global excederá a demanda em 3,73 milhões de barris por dia em 2026, praticamente inalterada em relação ao mês anterior. Um excedente dessa magnitude equivaleria a quase 4% da demanda mundial e é maior do que outras previsões.

Na quinta-feira, o preço do barril de petróleo estava abaixo de US$ 70, caindo ligeiramente após a divulgação do relatório. Os preços ainda acumulam alta de cerca de 14% desde o início do ano, devido às tensões entre os EUA e o Irã e às interrupções no fornecimento em diversos produtores.

“O aumento das tensões geopolíticas, as tempestades de neve e as temperaturas extremas na América do Norte, além das interrupções no fornecimento do Cazaquistão, desencadearam a reversão para um mercado otimista”, afirmou a AIE (Agência Internacional de Energia), que assessora os países industrializados.

Preços reduzem a demanda

A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê um aumento de 850.000 barris por dia (bpd) este ano, uma queda de 80.000 bpd em relação à previsão do mês passado e bem abaixo da projeção divulgada na quarta-feira pela OPEP, grupo de produtores de petróleo.

A AIE afirmou que “incertezas econômicas e preços mais altos do petróleo” estavam afetando o consumo.

A oferta aumentou mais rapidamente do que a demanda, em grande parte porque a OPEP+ — a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, mais a Rússia e outros aliados — começou a aumentar a produção em abril de 2025, após anos de cortes. Outros produtores, como os EUA, a Guiana e o Brasil, também aumentaram a produção.

A OPEP+, no entanto, suspendeu os aumentos de produção para o primeiro trimestre de 2026. Os oito membros se reunirão em 1º de março, quando deverão decidir se retomarão os aumentos em abril.

Corte no fornecimento no início de 2026

A oferta global de petróleo caiu 1,2 milhão de barris por dia em janeiro, para 106,6 milhões de barris por dia, após as interrupções no Cazaquistão e em outros locais, informou a AIE (Agência Internacional de Energia).

Com a redução da oferta no início do ano, a agência diminuiu sua projeção de crescimento da oferta para 2026 para 2,4 milhões de barris por dia, ante 2,5 milhões de barris por dia no mês passado.

A OPEP+ bombeou 43,3 milhões de barris por dia de petróleo bruto em janeiro, uma queda de 160 mil barris por dia em relação a dezembro, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia). Esse volume permanece muito acima da estimativa do relatório para a demanda de petróleo bruto da OPEP+ somada à redução dos estoques, que é de 39,7 milhões de barris por dia no primeiro trimestre e 39,6 milhões de barris por dia no segundo.

No entanto, os dados divulgados pela OPEP na quarta-feira apontaram para um excedente muito menor no segundo trimestre e um déficit de oferta em 2026 no geral, caso a produção da OPEP+ se mantenha nos níveis de janeiro, de acordo com um cálculo da Reuters.

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 12/02/2026, às 03:03 (horário de Brasília)