O preço do petróleo sobe devido a preocupações com o abastecimento, enquanto o conflito com o Irã se intensifica
Os preços do petróleo subiram na quinta-feira, estendendo uma alta, à medida que a escalada da guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã interrompeu o fornecimento e o transporte marítimo, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção e outros a tomar medidas para garantir a segurança do abastecimento.
Às 08:06 (horário de Brasília), o petróleo Brent subia US$ 1,72, ou 2,1%, para US$ 83,12 por barril, registrando a quinta sessão consecutiva de ganhos. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subia US$ 1,95, ou 2,6%, para US$ 76,61.
Os mercados de petróleo estão se tornando mais restritos, com o governo chinês ordenando às maiores refinarias que suspendam as exportações de diesel e gasolina, afirmou John Evans, analista da PVM.
Ataques continuam contra petroleiros
Os ataques a petroleiros continuaram na quinta-feira, com o petroleiro Sonangol Namibe, de bandeira das Bahamas, relatando que seu casco foi perfurado após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque.
Cerca de 300 petroleiros permaneceram dentro do Estreito, já que o tráfego de embarcações entrando e saindo do ponto de estrangulamento praticamente parou após o início da guerra, de acordo com dados de rastreamento de navios da Vortexa e da Kpler, que excluem alguns dos petroleiros menores.
O Irã lançou uma onda de mísseis contra Israel na madrugada de quinta-feira, obrigando milhões de moradores a se refugiarem em abrigos antiaéreos, enquanto o conflito entrava em seu sexto dia, poucas horas depois de as tentativas dos EUA de interromper os ataques terem sido bloqueadas em Washington.
Na quarta-feira, um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano perto do Sri Lanka, matando pelo menos 80 pessoas, e as defesas aéreas da OTAN destruíram um míssil balístico iraniano disparado em direção à Turquia.
O fornecimento de petróleo bruto do Iraque e do Kuwait poderá começar a ser interrompido em poucos dias se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, reduzindo potencialmente em 3,3 milhões de barris por dia (bpd) até o oitavo dia do conflito, disseram analistas do JP Morgan em nota.
O Iraque, segundo maior produtor de petróleo bruto da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reduziu a produção em quase 1,5 milhão de barris por dia devido à falta de armazenamento e de uma rota de exportação, disseram autoridades à Reuters.
O Catar, maior produtor de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações de gás na quarta-feira, e fontes afirmam que o retorno aos volumes normais de produção pode levar pelo menos um mês.
Matéria publicada na Reuters, no dia 05/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
