Ultrapar negocia sócios para Ipiranga e Ultracargo, de olho na Rumo
A venda de participação na rede de postos Ipiranga não é o único negócio na mesa da Ultrapar neste momento. As tratativas estão avançadas para vender 30% da Ultracargo ao GIC, apurou o Pipeline. O fundo soberano de Cingapura deve obter exclusividade nas conversas nesta semana.
A Ultracargo é a maior empresa independente de armazenagem de granéis líquidos do país. A estratégia da companhia é conectar os portos brasileiros ao interior do país por meio de terminais em cidades como Rondonópolis, Paulínia, Rio de Janeiro, Aratu, Suape, Santos e Itaqui.
Diferentemente de outros conglomerados, a Ultrapar não está hiper alavancada. Uma das motivações para sócios, além de dividir o cheque em investimentos, é avançar sobre a Rumo, apurou o Pipeline. A venda da companhia de logística da Cosan tem sido discutida pelo BTG Pactual com potenciais interessados. É um ativo que o chairman da Ultrapar, Marcos Lutz, conhece bem – ele presidiu a Cosan por mais de uma década e foi chairman da Rumo.
Pela Ultrapar, o banco também abordou diversos potenciais compradores para uma fatia na Ipiranga. A tratativa avança com a Chevron, mas outras companhias e bancos foram acessados para o interesse numa operação a um valuation de R$ 40 bilhões somente na distribuidora, apurou o Pipeline. A cifra é considerada inflada pelos pares, diante do próprio valor total do grupo, de R$ 30 bilhões em bolsa. A concorrente Vibra, dos postos BR, vale R$ 37 bilhões.
Em 2025, o grupo Ultra somou receita de R$ 142,5 bilhões, alta de 7%, com geração de caixa de R$ 5,5 bilhões e lucro líquido de R$ 2,5 bilhões, estável em relação ao ano anterior. A Ultracargo tem hoje a menor fatia na receita e a Ipiranga, a maior.
O grupo é dono também da Ultragaz e passou a ser controlador, no ano passado, da Hidrovias do Brasil. Ao fim do quarto trimestre, a dívida líquida era de R$ 12,15 bilhões, alavancagem de 1,7x Ebitda.
Procurada pelo Pipeline, a Ultrapar disse que “não comenta” e que “sempre que há informações relevantes, comunica o mercado, conforme regulamentação aplicável.”
Matéria publicada no portal Pipeline, do Valor Econômico, no dia 09/03/2026, às 12:25 (horário de Brasília)