A AIE propõe a liberação recorde de reservas estratégicas em resposta à alta do preço do petróleo

A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendará a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior medida desse tipo na história da AIE, para tentar conter a disparada dos preços do petróleo bruto em meio à guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã.

Uma fonte afirmou que a liberação seria feita de forma espaçada ao longo de pelo menos dois meses, enquanto o ministro da Energia da Espanha disse que os países teriam até 90 dias para liberar esse volume.

Segundo três fontes, a AIE (Agência Internacional de Energia), com sede em Paris, deverá publicar sua recomendação às 13:00 (horário de Brasília) de quarta-feira, antes da reunião dos líderes do G7, às 11:00 (horário de Brasília), presidida pela França.

A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, confirmou o número de 400 milhões de barris e disse que seu país participaria da divulgação dos dados, cujos detalhes ainda precisavam ser esclarecidos. Os Estados Unidos e o Japão seriam os maiores contribuintes para a divulgação da AIE (Agência Internacional de Energia), acrescentou ela.

A AIE não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Agindo antes da decisão da AIE (Agência Internacional de Energia), o Japão, membro do G7, anunciou planos para liberar o equivalente a 15 dias de reservas de petróleo do setor privado e o equivalente a um mês de reservas estatais.

“Em vez de esperar pela aprovação formal da AIE (Agência Internacional de Energia) para uma liberação coordenada de reservas internacionais, o Japão agirá primeiro para aliviar a oferta e a demanda no mercado global de energia, liberando reservas já no dia 16 deste mês”, disse a primeira-ministra Sanae Takaichi em um pronunciamento transmitido pela televisão.

O dobro do tamanho da liberação da crise na Ucrânia

Em 2022, os países membros da AIE (Agência Internacional de Energia) liberaram 182,7 milhões de barris em duas etapas, o que representou, na época, o maior volume da história da AIE, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia.

“Eu diria que é a maior proposta da história da Agência Internacional de Energia”, disse Sara Aagesen, ministra da Energia da Espanha.

“Durante a guerra na Ucrânia, falava-se em liberar cerca de 182 milhões de barris, e agora a quantidade é mais que o dobro da proposta inicial”, acrescentou ela.

As economias ocidentais coordenam seus estoques estratégicos de petróleo por meio da AIE (Agência Internacional de Energia), que foi formada após a crise do petróleo da década de 1970.

O presidente francês, Emmanuel Macron, deverá presidir a reunião dos líderes do G7 ainda nesta quarta-feira, depois de o bloco ter afirmado que seus ministros da Energia apoiam o uso das reservas.

“Em princípio, apoiamos a implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”, disseram os ministros de energia do G7.

Uma fonte do G7 disse à Reuters que, embora nenhum país enfrentasse atualmente uma escassez física de petróleo bruto, os preços estavam subindo acentuadamente e ignorar a situação não era uma opção.

No entanto, qualquer liberação efetiva não pode começar imediatamente, pois decisões sobre aspectos como a alocação por país e o cronograma exigem mais discussões, disse a fonte.

“Espera-se que o secretariado da AIE proponha cenários, com base no impacto esperado no mercado, e a divulgação poderá se estender a países não membros da AIE, como China e Índia”, disse a fonte.

A Coreia do Sul, membro da AIE (Agência Internacional de Energia), está participando da discussão “e revisando sua posição”, disse um porta-voz do Ministério da Indústria do país na quarta-feira.

Os preços do petróleo se recuperaram na quarta-feira, à medida que os mercados duvidavam que o plano divulgado pela Agência Internacional de Energia para uma liberação recorde de reservas de petróleo pudesse compensar possíveis choques de oferta decorrentes do conflito entre os EUA e Israel com o Irã.

Matéria publicada na Reuters, no dia 10/03/2026, às 18:40 (horário de Brasília)