O preço do petróleo subiu 5% com a intensificação dos ataques do Irã contra navios mercantes no Golfo

Os preços do petróleo subiram acentuadamente na quinta-feira, com o Irã intensificando os ataques a instalações petrolíferas e de transporte em todo o Oriente Médio, alimentando preocupações com um conflito prolongado e possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Brent subiram US$ 4,90, ou 5,33%, para US$ 96,88 o barril às 08:07 (horário de Brasília), após terem atingido US$ 100 por barril no início do pregão, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA subiu US$ 4,27, ou 4,89%, para US$ 91,52.

Os países do Golfo Pérsico reduziram a produção total de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia – um volume equivalente a quase 10% da demanda mundial, segundo o último relatório mensal da agência sobre o mercado de petróleo.

“A liberação das reservas de petróleo pela AIE pode ser apenas uma solução temporária, já que interrupções nos embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz e uma grande paralisação da produção em alguns países do Oriente Médio podem causar uma crise de abastecimento a longo prazo”, disse Tina Teng, estrategista de mercado da Moomoo ANZ.

O Goldman Sachs previu que os preços do petróleo Brent teriam uma média de US$ 98 por barril em março e abril, antes de caírem para US$ 71 no quarto trimestre, mas alertou que, em um cenário de risco de alta, em que o fluxo pelo estreito seja interrompido por um mês, a média de março e abril poderia subir para US$ 110.

“A única maneira de os preços do petróleo caírem de forma sustentada é se houver fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz”, disseram analistas do ING. “Caso isso não aconteça, significa que as máximas do mercado ainda estão por vir.”

Barcos iranianos carregados de explosivos aparentemente atacaram dois navios-tanque de combustível em águas iraquianas, incendiando-os e matando um membro da tripulação na quarta-feira, depois que projéteis atingiram quatro embarcações em águas do Golfo, de acordo com empresas de segurança portuária, marítima e de gestão de riscos.

Na noite de quarta-feira, o Hezbollah libanês lançou seu maior ataque com foguetes da guerra atual, provocando ataques israelenses que abalaram Beirute. O ataque do Hezbollah também aumentou os temores de que os houthis do Iêmen se juntassem à guerra ao lado do Irã, um possível desdobramento que poderia perturbar ainda mais a navegação no Mar Vermelho. A Arábia Saudita intensificou as exportações de petróleo bruto de seu porto de Yanbu, no Mar Vermelho, nos últimos dias.

Ainda no que diz respeito à oferta, a China ordenou , em março, a proibição imediata das exportações de combustíveis refinados, uma medida adicional para prevenir uma potencial escassez interna de combustível causada pelo conflito no Oriente Médio, disseram fontes na quinta-feira.

Matéria publicada na Reuters, no dia 12/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)