O preço do petróleo despenca após Trump adiar ataques a usinas nucleares iranianas

Os preços do petróleo caíram cerca de 10%, atingindo a mínima em uma semana nesta segunda-feira, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que adiaria quaisquer ataques militares contra usinas de energia iranianas por cinco dias, após negociações construtivas, horas antes do prazo final que ameaçava uma escalada ainda maior no conflito que já dura quatro semanas.

Os contratos futuros do Brent caíram US$ 11,64, ou 10,4%, para US$ 100,55 o barril às 11:19 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA perdeu US$ 9,66, ou 9,8%, para US$ 88,57.

Os preços gradualmente recuperaram parte das perdas após a forte queda inicial, depois que a agência de notícias iraniana Tasnim informou que não havia negociações em andamento entre os EUA e o Irã.

O presidente dos EUA havia alertado no sábado que as usinas de energia iranianas seriam destruídas se Teerã não “abrisse totalmente” o Estreito de Ormuz para toda a navegação em 48 horas, estabelecendo um prazo final por volta das 19h44 EDT (20:44 horário de Brasília) de segunda-feira.

Seus comentários provocaram ameaças de retaliação por parte da Guarda Revolucionária do Irã, que afirmou que atacaria as usinas de energia de Israel e aquelas que abastecem as bases americanas em toda a região do Golfo, caso Trump cumprisse sua ameaça de “aniquilar” a rede elétrica iraniana.

A guerra danificou importantes instalações de energia no Golfo e praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, que movimenta cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito.

Analistas estimam uma perda de 7 a 10 milhões de barris por dia na produção de petróleo do Oriente Médio.

A crise no Oriente Médio é pior do que os dois choques do petróleo da década de 1970 juntos, disse Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, na segunda-feira.

“O sentimento em relação ao petróleo pode oscilar devido a ameaças e retórica no curto prazo, mas sua direção mais duradoura continuará sendo moldada pelo estado dos fluxos de petróleo do Oriente Médio”, disse Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, provedora de análises do mercado de petróleo.

O Iraque declarou força maior em todos os campos de petróleo desenvolvidos por empresas petrolíferas estrangeiras, disseram três autoridades do setor energético. Além disso, a produção de petróleo da Companhia de Petróleo de Basra foi reduzida de 3,3 milhões de barris por dia para 900 mil barris por dia, afirmou o ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel-Ghani, em um comunicado do ministério.

A crise de abastecimento levou a uma suspensão temporária das sanções americanas ao petróleo russo e iraniano que já estava no mar. Refinarias indianas planejam retomar a compra de petróleo iraniano, enquanto refinarias em outros países da Ásia estão analisando essa possibilidade, disseram operadores à Reuters.

Entretanto, o porto russo de Ust-Luga, no Mar Báltico, retomou o carregamento de petróleo após o levantamento do alerta de ataque com drones, disseram fontes da indústria, enquanto o porto vizinho de Primorsk permaneceu fechado após ataques aéreos, agravando a escassez global.

O campo petrolífero de El Feel, na Líbia, está paralisado desde quinta-feira, depois que a estatal National Oil Corporation (NOC) utilizou seu oleoduto para transportar petróleo bruto do campo de Sharara, após o oleoduto original ter sido danificado por um incêndio, disseram dois engenheiros de El Feel.

Matéria publicada na Reuters, no dia 23/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)