Duas cidades do Rio Grande do Sul decretam emergência por fornecimento de diesel
Ao menos dois municípios na região central do Rio Grande do Sul já declararam situação de emergência devido à falta de óleo diesel em meio aos impactos da guerra no Irã.
A cidade de Formigueiro publicou um decreto declarando emergência no dia 17. Dois dias depois, a prefeitura de Tupanciretã informou que também publicou decreto semelhante. As duas cidades têm economia voltada ao agronegócio e enfrentam dificuldades no escoamento da produção de grãos.
As prefeituras dependem do diesel para abastecer o maquinário utilizado na manutenção e no recapeamento das estradas que viabilizam o escoamento de grãos dentro de seus territórios.
Um decreto assinado pelo prefeito de Formigueiro, Cristiano Cassol Rubert (MDB), afirma que o custo do óleo diesel “onera excessivamente o frete e a operação de colheita” e provoca atrasos na safra pelas dificuldades de tráfego.
A prefeitura disse que, com o decreto, será possível fazer a compra emergencial de combustíveis e viabilizar a recuperação de estradas e o apoio à colheita.
Já em Tupanciretã, cidade de 24 mil habitantes, o decreto de emergência soma-se a outro vigente desde o dia 13, publicado devido à estiagem que atinge o estado.
O prefeito Gustavo Terra (PP) disse que a prefeitura tem 14 mil litros de diesel a receber por meio de licitação, ao custo de R$ 6,05 por litro, mas o fornecedor teria elevado o valor para R$ 7,40. Segundo ele, a cidade consome cerca de mil litros por dia.
Terra também afirmou que conseguiu autorização para a compra de diesel durante uma agenda em Porto Alegre nesta segunda-feira (23).
No Rio Grande do Sul, ao menos 142 cidades enfrentam desafios com a falta de diesel, segundo um estudo da Famurs (Federação das Associações de Municípios do RS), feito com 315 municípios do estado e publicado no dia 20.
De acordo com a Famurs, a falta do combustível está levando a uma redução no funcionamento de serviços de obras e atividades que dependem do uso de máquinas.
O Rio Grande do Sul tem, ao todo, 497 municípios. O número de cidades atingidas corresponde a 28,6% do total.
De acordo com o levantamento, os municípios estão direcionando o uso de combustível para serviços na área da saúde, como o abastecimento de ambulâncias e de outros veículos que transportam pacientes para exames em polos regionais de atendimento médico.
Em nota, a presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira (PP), disse que a situação pode piorar nos próximos dias.
“Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades”, disse.
Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 24/03/2026, às 06:00 (horário de Brasília)