Disponibilidade de diesel no mercado pode cair ainda mais após ataques à Rússia

oferta de diesel no mercado internacional já está baixa devido à guerra no Oriente Médio, mas pode cair ainda mais nas próximas semanas após os ataques ao porto de Ust-Luga, na Rússia. Sinal de alerta para o Brasil, que depende de importações para suprir cerca de 30% da demanda interna desse combustível. 

  • O centro de exportação de petróleo do porto sofreu um incêndio após ataques de drones da Ucrânia na quarta-feira (26/3), na esteira do conflito que teve início com a invasão russa ao território ucraniano em 2022. (CNN Brasil)
  • Um grupo de países do norte da Europa, aliás, prometeu intensificar a luta contra a “frota da sombra” de petroleiros da Rússia – composta por navios petroleiros envelhecidos, comprados usados muitas das vezes por entidades não transparentes com endereços em países que não estão sancionando Moscou.

O cenário agrava a baixa disponibilidade de produto no mercado, reflexo também dos danos à infraestrutura de refino no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, devido à outra guerra, entre Estados Unidos-Israel e Irã. 

Há uma diferença em relação ao último choque no preço do diesel, que ocorreu após as sanções da Europa e EUA contra a Rússia. Desta vez, está ocorrendo destruição física de capacidade de produção e exportação

  • “O que acontece hoje é que esses barris não estão disponíveis”, disse o diretor de Combustíveis e Refino da S&P Global, Felipe Perez, ao estúdio eixos durante a CERAWeek, em Houston.
  • “Dependendo das consequências desses ataques aos terminais da Rússia, se o mundo entra em um racionamento de diesel ou numa disputa de oferta, quem paga mais, leva o pouco diesel que estiver disponível”, acrescentou. 

Atualmente, a Rússia, junto com os EUA, é a principal fonte de importação de diesel do Brasil.  

  • “Não só o Brasil, mas toda a América Latina é muito sensível. As economias são muito vulneráveis, não têm muitos mecanismos para minimizar o poder inflacionário que tem a alta dos preços dos combustíveis”, disse Perez.
  • Ele apontou também que a alta nas margens de refino para o diesel podem impactar, ainda, a produção de gasolina: “Daí em alguns meses, se o conflito continuar, a gente pode ter uma situação de risco de disponibilidade de gasolina no mercado”, disse. 

Por enquanto, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não vê risco sistêmico de abastecimento no mercado internacional ou nacional, de acordo com o diretor Pietro Mendes

  • Ele explica que os problemas relatados no Rio Grande do Sul foram pontuais e que já estão em processo de regularização, depois da ampliação da oferta pela Petrobras.
  • “Ainda demora a chegar em todos os municípios pela capilaridade”, afirmou ao estúdio eixos em Houston.
  • O MME corrobora. O secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, também reforçou que, por ora, não há risco de desabastecimento: “O país conta com oferta suficiente de diesel para atender os meses de março e de abril e não há falta de produto dentro do país”, disse na quinta (27)

O pacote do governo brasileiro para atenuar os impactos da crise internacional no mercado interno inclui uma subvenção de R$ 0,32 no litro do diesel; a isenção de impostos federais; e a ampliação da fiscalização de abusos de preços pela ANP. 

  • A regulamentação da subvenção, inclusive, está na pauta de reunião da diretoria da ANP desta sexta-feira (28), junto com a metodologia de definição do preço de referência que será considerado para o cálculo do subsídio.
  • Na semana passada a ANP colocou o mercado em sobreaviso e notificou a Petrobras para retomar os leilões de diesel e de gasolina deste mês que foram cancelados. A companhia optou por antecipar cotas. 
  • Há, ainda, esforços do governo federal para que os estados embarquem na subvenção com a isenção de ICMS. O assunto também pode evoluir nesta sexta (28), com a reunião do Confaz que deve definir a resposta dos governadores à proposta da União. 

Matéria publicada na agência Eixos, no dia 27/03/2026, às 07:00 (horário de Brasília)