O petróleo sobe quase 8%, ultrapassando os US$ 102, em meio ao bloqueio dos EUA ao Irã
Os preços do petróleo voltaram a subir acima de US$ 102 o barril nesta segunda-feira, enquanto a Marinha dos EUA se preparava para bloquear a entrada e saída de navios do Irã pelo Estreito de Ormuz, em uma medida que poderia restringir as exportações de petróleo iranianas, após Washington e Teerã não conseguirem chegar a um acordo para encerrar a guerra.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 7,32, ou 7,7%, para US$ 102,52 o barril às 09:15 (horário de Brasília), após fecharem em queda de 0,75% na sexta-feira. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 7,65, ou 7,9%, para US$ 104,22, após uma perda de 1,33% na sessão anterior.
O presidente Donald Trump afirmou no domingo que a Marinha dos EUA começaria a bloquear o Estreito de Ormuz, aumentando a tensão após longas negociações com o Irã não terem resultado em um acordo para encerrar a guerra, colocando em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas.
Ele acrescentou que o preço do petróleo e da gasolina poderá permanecer alto até as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro, um reconhecimento raro das potenciais consequências políticas de sua decisão de atacar o Irã seis semanas atrás.
“O bloqueio anunciado pelos EUA representa uma admissão de que a premissa central do cessar-fogo – pelo menos na interpretação dos EUA – que era a reabertura do Estreito, é insustentável por enquanto”, disse Erik Meyersson, analista do banco nórdico SEB.
O Comando Central dos EUA informou que as forças americanas começariam a implementar o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos às 10h (horário do leste dos EUA) desta segunda-feira (11h horário de Brasília).
A medida será “aplicada imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, afirmou o CENTCOM em um comunicado divulgado em X.
As forças americanas não impediriam a liberdade de navegação de embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em portos não iranianos, acrescentou.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou no domingo que qualquer embarcação militar que tentar se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada em violação do cessar-fogo e será tratada com rigor e firmeza.
Entretanto, o grupo de produtores da OPEP reduziu sua previsão para a demanda mundial de petróleo no segundo trimestre em 500 mil barris por dia, citando o impacto da guerra no Oriente Médio.
Em um relatório publicado em seu site na segunda-feira, a OPEP afirmou que a produção de petróleo bruto dos membros da OPEP+ teve uma média de cerca de 35,06 milhões de barris por dia em março, registrando uma queda mensal de 7,7 milhões de barris por dia.
Os preços dos barris de petróleo bruto físico estão sendo negociados com prêmios significativos em relação aos contratos futuros, com alguns tipos de petróleo já em níveis recordes de cerca de US$ 150 por barril.
“Se o presidente Trump de fato respaldar sua ameaça de bloqueio com barcos reais, uma convergência entre os mercados de papel e físico poderá ocorrer em breve”, disse Helima Croft, analista da RBC Capital Markets.
Dados de navegação da LSEG mostraram que petroleiros estão evitando o Estreito de Ormuz em antecipação ao bloqueio dos EUA ao Irã.
No entanto, três superpetroleiros totalmente carregados de petróleo atravessaram o estreito no sábado, segundo dados de navegação. Aparentemente, foram os primeiros navios a deixar o Golfo desde o acordo de cessar-fogo firmado na semana passada.
No domingo, a Arábia Saudita afirmou ter restabelecido a capacidade total de bombeamento de petróleo através do oleoduto Leste-Oeste para cerca de 7 milhões de barris por dia, após os danos causados ao seu setor energético pelos ataques durante o conflito com o Irã.
Matéria publicada na Reuters, no dia 13/04/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
