Os preços do petróleo subiram 5% devido a temores de colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã

Os preços do petróleo subiram cerca de 5% nas negociações desta segunda-feira, devido aos temores de que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã possa ruir após os EUA apreenderem um navio cargueiro iraniano e o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanecer praticamente paralisado.

Às 09:48 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 4,37, ou 4,8%, para US$ 94,75 o barril, e o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançou US$ 4,76, ou 5,7%, para US$ 88,61.

Ambos os contratos despencaram 9% na sexta-feira, registrando suas maiores quedas diárias desde 18 de abril, após o Irã afirmar que a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz estava liberada durante o restante do cessar-fogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, disse que o Irã concordou em nunca mais fechar o estreito por onde passava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo antes do início da guerra, há quase dois meses.

“Em 24 horas após o anúncio de ‘abertura total’ na sexta-feira, já havia petroleiros alvejados pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC)”, disse June Goh, analista da Sparta Commodities.

“Os fundamentos do mercado estão piorando, já que 10 a 11 milhões de barris de petróleo bruto por dia permanecem paralisados”, acrescentou Goh, referindo-se às perdas na produção de petróleo.

Os Estados Unidos disseram no domingo que apreenderam um navio cargueiro iraniano que tentou furar o bloqueio, enquanto o Irã afirmou que retaliaria, aumentando os temores de uma retomada das hostilidades.

Teerã também afirmou que não participará de uma segunda rodada de negociações que os EUA esperavam iniciar antes do término do cessar-fogo de duas semanas, previsto para esta semana.

“O mercado financeiro está passando por negociações, melhorias e resoluções, enquanto, ao mesmo tempo, o mercado físico se deteriora dia após dia”, disse Bjarne Schieldrop, analista da SEB Research. “Os fluxos físicos de petróleo continuam limitados por interrupções, tempos de viagem mais longos e custos elevados de frete e seguro.”

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permaneceu praticamente paralisado na segunda-feira, com apenas três travessias nas últimas 12 horas, segundo dados de navegação.

Mais de 20 navios atravessaram o estreito no sábado, transportando petróleo, gás liquefeito de petróleo, metais e fertilizantes, segundo dados da Kpler. Esse foi o maior número de embarcações cruzando a hidrovia desde 1º de março.

Em outros lugares, a China está restringindo as exportações de combustíveis refinados em vez de proibi-las, com países como Malásia e Austrália recebendo suprimentos mesmo depois de Pequim ter estendido a restrição do mês passado até abril, de acordo com dados de transporte marítimo e comerciantes.

Matéria publicada na Reuters, no dia 20/04/2026, às 00:00 (horário de Brasília)