Petróleo praticamente inalterado enquanto Trump se dirige à China

Os preços do petróleo apresentaram pouca variação nesta quarta-feira, enquanto os investidores acompanhavam a frágil situação de cessar-fogo no Oriente Médio e aguardavam uma cúpula crucial em Pequim entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 23 centavos, ou 0,2%, para US$ 108,00 o barril às 07:43 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caíram 10 centavos, ou 0,1%, para US$ 102,08.

Ambos os preços de referência têm oscilado em torno ou acima de US$ 100 por barril desde o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, após a qual Teerã efetivamente fechou o vital Estreito de Ormuz.

“O mercado continua altamente reativo a cada atualização da região, o que significa que oscilações bruscas provavelmente persistirão. Qualquer escalada adicional ou ameaça direta ao fluxo de suprimentos pode reativar rapidamente o forte ímpeto de alta tanto do Brent quanto do WTI”, disse Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova.

A Agência Internacional de Energia (AIE) defendeu os preços, afirmando que a oferta global de petróleo não atenderá à demanda total este ano, já que a guerra está causando estragos na produção do Oriente Médio.

“O último relatório da AIE sobre o mercado de petróleo mostrou a magnitude da perturbação, com grandes quedas nos estoques de petróleo nos últimos dois meses”, disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.

A AIE também afirmou que a produção de petróleo bruto da Rússia caiu 460 mil barris por dia em abril em comparação com o ano anterior, para cerca de 8,8 milhões de barris por dia, devido à intensificação dos ataques com drones da Ucrânia contra alvos do setor energético.

Trump afirma que não precisa da ajuda da China para acabar com a guerra

Na terça-feira, os preços do petróleo subiram mais de 3%, à medida que as esperanças de um cessar-fogo duradouro entre os EUA e o Irã diminuíram, reduzindo as perspectivas de reabertura do estreito, por onde normalmente flui cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Trump afirmou na terça-feira que não acreditava precisar da ajuda da China para pôr fim à guerra, mesmo com o enfraquecimento das perspectivas de um acordo de paz duradouro e o reforço do controle de Teerã sobre o estreito.

A China é a maior compradora de petróleo iraniano, apesar da pressão das sanções impostas pelo governo Trump. Trump tem encontros marcados com Xi na quinta e sexta-feira.

“A duração da interrupção e a escala da perda de oferta – que já ultrapassa 1 bilhão de barris – significam que os preços do petróleo provavelmente permanecerão acima de US$ 80 por barril pelo resto do ano”, afirmou o Eurasia Group em um comunicado aos clientes.

A guerra começou a afetar a economia dos EUA, com o aumento dos preços do petróleo elevando os custos dos combustíveis e os economistas prevendo efeitos secundários nos próximos meses.

Em abril, os preços ao consumidor nos EUA subiram acentuadamente pelo segundo mês consecutivo, produzindo o maior aumento anual da inflação em quase três anos e reforçando as expectativas de que o Federal Reserve manterá as taxas de juros estáveis ​​por algum tempo.

Taxas de juros elevadas aumentam os custos de empréstimo e podem restringir a demanda por petróleo.

Os estoques de petróleo bruto dos EUA caíram pela quarta semana consecutiva na semana passada, enquanto os estoques de destilados também diminuíram, de acordo com fontes de mercado que citaram dados do Instituto Americano de Petróleo. Os dados oficiais sobre os estoques dos EUA serão divulgados ainda nesta quarta-feira.

Matéria publicada na Reuters, no dia 13/05/2026, às 00:00 (horário de Brasília)