O Banco Central do Brasil não permitirá que expectativas de inflação mais altas se consolidem, afirma diretor

O Banco Central do Brasil não permitirá que as altas expectativas de inflação se traduzam em inflação real, disse o diretor de política monetária, Nilton David, nesta quinta-feira, ressaltando que os formuladores de políticas têm total liberdade para agir sobre as pressões inflacionárias até 2028.

Em um evento promovido pelo Banco Pine em São Paulo, David adotou um tom mais conservador, afirmando que as crescentes expectativas do mercado para 2028 refletem preocupações de que o banco possa não estar disposto ou ser capaz de atingir sua meta de inflação de 3%.

Ele afirmou que os choques de oferta decorrentes da guerra com o Irã devem afetar apenas horizontes de projeção mais curtos.

“Mas o banco central tem as ferramentas”, disse David. “Ele vai perseguir a meta, tem capacidade para isso e tem a obrigação legal de fazê-lo.”

Uma pesquisa semanal do banco central com economistas mostra expectativas de inflação de 5,04% para este ano, 4,01% para 2027 e 3,65% para 2028.

“Tudo ainda pode ser feito em relação à inflação em 2028”, disse David.

Ele acrescentou que os recentes cortes nas taxas de juros não sinalizam uma postura cautelosa.

Os formuladores de políticas reduziram as taxas de juros em 25 pontos-base em cada uma de suas duas últimas reuniões, levando a taxa Selic de referência para 14,5%. Os mercados esperam um afrouxamento monetário ainda maior, embora com menos espaço do que antes do conflito no Oriente Médio.

David disse que não está claro quanto daquela sala foi erodido, mas reconheceu que parte da área de proteção foi consumida.

Ele acrescentou que os formuladores de políticas não permitirão que os efeitos inflacionários da guerra se estendam além do horizonte da política monetária, que atualmente vai até dezembro de 2027 e passará para o primeiro trimestre de 2028 no segundo semestre do ano.

Matéria publicada na Reuters, no dia 28/05/2026, às 08:46 (horário de Brasília)