Os preços do petróleo sobem com as trocas de ataques entre EUA e Irã e a expansão da presença de Israel no Líbano
Os preços do petróleo subiram mais de 3% nesta segunda-feira, após o Irã e os EUA trocarem ataques e Israel ordenar que suas tropas avançassem ainda mais no Líbano em sua batalha contra o Hezbollah, apoiado por Teerã.
Os contratos futuros do Brent subiram US$ 2,68, ou 3%, para US$ 93,80 o barril às 08:21 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo bruto dos EUA subiram US$ 3,03, ou 3,5%, para US$ 90,39 o barril. Em maio, o Brent e o WTI perderam cerca de 19% e 17%, respectivamente. Foi a maior queda mensal em termos absolutos para ambos os contratos desde março de 2020, quando a pandemia do coronavírus reduziu drasticamente a demanda por energia.
Os combates no Oriente Médio, após Washington ter sediado negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira, diminuíram as esperanças de que os EUA e o Irã pudessem anunciar em breve uma prorrogação do cessar-fogo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que decidirá em breve sobre uma proposta de acordo para estender o cessar-fogo anunciado no início de abril.
Israel seria fundamental para qualquer acordo desse tipo, e o Irã afirmou repetidamente que o Hezbollah e o Líbano devem ser incluídos. Os EUA propuseram um plano de “desescalada gradual”, disse um funcionário americano no domingo.
Crescem as preocupações com as minas no Estreito de Ormuz, uma importante rota de navegação para petróleo e gás, afirmou o analista da IG, Tony Sycamore, em nota. “Mesmo que um acordo seja alcançado, não haverá um aumento significativo na oferta”, disse Sycamore.
Um repórter da Axios afirmou na sexta-feira, no canal X, que o Irã havia lançado mais minas no estreito no início da semana passada.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que a demora no processo diplomático para encerrar a guerra pode ser explicada pela falta de confiança, pelas posições contraditórias de Washington e pelos ataques de Israel ao Líbano.
As preocupações com o abastecimento superaram os dados econômicos do fim de semana da China, que mostraram uma estagnação na atividade industrial. Isso aumentou as preocupações de que a segunda maior economia do mundo esteja perdendo fôlego.
Uma pesquisa da Reuters indicou que a Arábia Saudita provavelmente reduzirá seus preços oficiais de venda (OSP, na sigla em inglês) de petróleo bruto para a Ásia em julho, pelo segundo mês consecutivo.
O Goldman Sachs afirmou no domingo que a fraca demanda por petróleo na China e na Europa representa um risco significativo de queda para sua previsão de US$ 90 por barril para o petróleo Brent e de US$ 83 para o WTI no quarto trimestre, embora as interrupções no fornecimento no Oriente Médio ainda possam impulsionar os preços para cima.
Matéria publicada na Reuters, no dia 01/06/2026, às 00:00 (horário de Brasília)