Mesmo com subsídio do governo, preço do diesel sobe e importadores reclamam de falta de pagamento

Mesmo com a entrada em vigor do novo subsídio para gasolina e diesel a partir deste mês, importadores e distribuidores reclamam que ainda não receberam nenhum valor prometido pelo governo, cujo programa começou a valer em março. Até agora, dizem, não há previsão de a Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciar os pagamentos.

Segundo dados da ANP, 20 empresas aderiram ao programa de subsídio do governo. No ano passado, 29 empresas importaram diesel por mês no país.

Assim, nos postos, segundo o levantamento de preços da ANP, o preço médio do litro do diesel subiu de R$ 6,08, entre os dias 1º e 7 de março, para R$ 6,89 na semana passada.

Entre as grandes distribuidoras, apenas a Vibra aderiu ao programa de subvenção. Já entre produtores e importadores, destacam-se Petrobras, 3R e Refinaria de Mataripe.

O programa emergencial começou, em março, com uma subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel, paga a produtores e importadores para reduzir o impacto da alta do petróleo ligada ao conflito no Oriente Médio.

Depois, o governo ampliou o programa: em maio, o valor passou para R$ 1,20 por litro para importadores e R$ 0,80 para produtores nacionais. Agora, de acordo com a nova MP e uma portaria, a partir deste mês passa a valer uma subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel, tanto importado quanto produzido no Brasil.

A MP e a portaria trouxeram ainda uma nova subvenção de R$ 0,35 por litro, tanto para o diesel importado quanto para o produzido no país, que começou a valer nesta segunda-feira. Com isso, a Petrobras anunciou ontem redução no preço do diesel às distribuidoras, de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.

A situação, diz a Abicom, que reúne os importadores, se agrava ainda mais com a redução anunciada pela Petrobras.

— Os importadores estão preocupados com o atraso no pagamento da subvenção e com a elevada defasagem do preço da Petrobras. O atraso no pagamento e a falta de previsão geram insegurança e esforço de caixa das empresas. Isso inibe a adesão aos programas de subvenção e reduz o volume de negócios importados. — diz Sergio Araujo, presidente da Abicom.

Dados da associação indicam que, nesta segunda-feira, a defasagem do diesel vendido pela Petrobras é de 28% (ou R$ 1,02 por litro). No caso da gasolina, a estatal vende o combustível 52% (R$ 1,32 por litro) abaixo do mercado internacional.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 02/06/2026, às 06:00 (horário de Brasília)