Copom e Fed definem juros nesta superquarta; veja as apostas

No Brasil e nos Estados Unidos, o principal evento da agenda econômica nesta quarta-feira é o anúncio dos bancos centrais dos dois países sobre as taxas de juros, após os encontros de política monetária. Com a inflação subindo nos dois mercados, predominam apostas na manutenção dos juros americanos e em pequena redução da taxa Selic no Brasil.

O que aconteceu

Superquarta domina as atenções dos mercados hoje. É dessa forma que profissionais e investidores do setor financeiro batizam o dia quando há a coincidência de datas das reuniões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

No Brasil, o Banco Central reúne o Copom (Comitê de Política Monetária). Nesses encontros, realizados em uma terça e em uma quarta-feira a cada 45 dias, a diretoria do Banco Central define a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passa a ser válida até o encontro seguinte. O resultado da reunião é divulgado após as 18h30, por meio de comunicado.

Nos Estados Unidos, o encontro é do Fomc (Federal Open Market Committee). O comitê reúne os diretores do Fed com direito a voto nas decisões sobre juros, que se reúnem oito vezes por ano, também em agenda de dois dias, às terças e quartas-feiras. A decisão é divulgada à tarde, às 15h30 (horário de Brasília). Neste ano, as datas de reuniões de política monetária do Fed só não coincidem com as do Banco Central brasileiro em agosto e novembro.

Juros altos no radar

Nos Estados Unidos, a maior aposta é na manutenção dos juros. A atual taxa de referência, que está numa faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, deve ser mantida, segundo projeta a maioria dos agentes econômicos. Será a primeira reunião do Fed sob comando de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, que tem defendido cortes de juros. Entretanto, com a inflação ao consumidor superando a taxa de 4%, maior patamar em três anos, e os baixos níveis de desemprego, o Banco Central norte-americano deve optar pela cautela e manter estável a taxa, como fez nos últimos três encontros de política monetária no país.

“A inflação acumulada nos Estados Unidos segue em níveis historicamente elevados e indicadores recentes mostram economia resiliente e um mercado de trabalho aquecido. Além disso, novas medidas comerciais do governo Donald Trump podem estimular a antecipação de consumo, importações e investimentos, adicionando novas pressões inflacionárias ao cenário. Assim, o Fed deve manter os juros inalterados”, André Galhardo Fernandes, economista-chefe da Análise Econômica.

No Brasil, ainda prevalece a expectativa de terceiro corte seguido da Selic. Para a maior parte de profissionais e investidores do mercado brasileiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central vai reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25% ao ano, repetindo as decisões tomadas nas duas últimas reuniões, em março e abril.

“Choques globais de oferta persistem mesmo com a queda recente nos preços do petróleo, a atividade doméstica reacelerou em meio a medidas de equilíbrio do governo, e a taxa de câmbio parou de apreciar. O Copom não deve indicar explicitamente que o ciclo de redução dos juros terminou, mantendo espaço para cortes adicionais, caso o cenário evolua de modo favorável. Porém, deve retirar menções a ‘próximos passos da calibração dos juros’, sugerindo que uma pausa pode ocorrer em breve”, Caio Megale, economista-chefe da XP.

Parte do mercado, entretanto, já não vê espaço para nova redução de juros. O grupo que defende essa posição diz que o Banco Central vai interromper a redução da Selic porque está preocupado com a trajetória recente da inflação oficial, que voltou a superar o teto da meta, de 4,50% ao ano, e com a piora das projeções para os índices de preços, que estão sendo revisadas para cima, como apontou o último boletim Focus.

Mesmo se houver corte agora, o ciclo de redução de juros pode ser interrompido no Brasil. Entre os que esperam nova redução da Selic nesta semana, há a expectativa de que o Copom sinalize a interrupção de cortes dos juros nos próximos encontros, para monitorar o IPCA e as projeções de inflação para os próximos trimestres, incluindo 2027 e 2028. É por isso que, além da decisão sobre os juros desta quarta-feira, o mercado olhará com lupa as sinalizações do BC no comunicado ao mercado.

“Desde a última reunião do Copom, vimos deterioração das expectativas, da inflação corrente, risco maior de reajustes de preços dos alimentos por causa do El Niño para o segundo semestre deste ano. Nesse ambiente, o Banco Central deve deixar as portas abertas para a próxima reunião, para usar os próximos 45 dias para reavaliar a situação lá na frente”, Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval.

Matéria publicada no portal UOL, no dia 17/06/2026, às 05:30 (horário de Brasília)