Iraque busca aumento nas cotas de petróleo devido a descontentamento com a adesão à OPEP.

O Iraque intensificou sua pressão por cotas de produção maiores da OPEP, buscando recuperar as vendas de petróleo perdidas devido à guerra com o Irã, chegando a cogitar a possibilidade de uma futura saída do acordo.

O Ministério do Petróleo do Iraque alertou na quinta-feira que “uma decisão terá de ser tomada sobre permanecer ou se retirar” caso não receba uma verba suficientemente grande da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), embora tenha afirmado posteriormente que a sugestão de que estaria considerando uma saída não reflete a posição oficial do governo iraquiano e não é algo que tenha sido proposto.

Os sinais contraditórios representam mais um potencial golpe para uma organização que ainda se recupera da recente saída dos Emirados Árabes Unidos, membro de longa data, e surgem num momento em que as nações do Oriente Médio aumentam a produção após a guerra com o Irã, ameaçando gerar excedentes e queda nos preços.

O esforço do Iraque para aumentar a produção evidencia as pressões que os produtores enfrentam para recuperar as receitas perdidas. O mercado está lidando com um fluxo intenso de petróleo que sai pelo Estreito de Ormuz, após o desbloqueio da via navegável em virtude do acordo de paz entre os EUA e o Irã. Esses fluxos levaram os preços do petróleo a perderem todos os ganhos obtidos durante a guerra.

A OPEP tem concedido gradualmente permissão aos seus países membros para aumentarem a produção de petróleo durante a guerra, apesar da interrupção sem precedentes no fornecimento causada pelo conflito. Os países do Golfo Pérsico perderam milhões de barris em vendas, sendo as finanças do Iraque das mais afetadas.

Inicialmente, o porta-voz do Ministério do Petróleo do Iraque, Salim Al-Rikabi, afirmou em um texto que, embora o país “atualmente não tenha intenção de se retirar”, o Iraque acredita que a OPEP deveria aumentar seu teto de produção e, caso essa aspiração não seja atendida, “uma decisão terá que ser tomada sobre permanecer ou se retirar”.

Poucas horas depois, a ameaça foi atenuada, com uma declaração subsequente do ministério afirmando que “as notícias sugerindo que o Iraque está considerando encerrar sua participação na OPEP não refletem a posição oficial do Governo Iraquiano. Nem o Primeiro-Ministro nem o Governo do Iraque propuseram a retirada da Organização.”

A declaração posterior do ministério afirmou que, no entanto, havia reconhecimento entre os membros da OPEP “em relação às circunstâncias únicas do Iraque e aos desafios enfrentados por sua indústria petrolífera nas últimas quatro décadas, incluindo guerras, sanções e inúmeras outras dificuldades”. Acrescentou que essas questões estão sendo levadas em consideração para que a produção do país atinja um nível “justo”.

O ministro do petróleo iraquiano, Basim Muhammad Khudhair, afirmou em maio que o país buscava atingir um nível de 5 milhões de barris por dia, uma melhoria considerável.

Os anúncios surpreendentes surgem num momento em que a OPEP e seus parceiros estão envolvidos num processo frequentemente contencioso de avaliação da capacidade técnica de produção de cada membro, com vistas a definir metas de produção para o próximo ano. Sinalizar a disposição de abandonar a organização também pode ser uma tática para pressionar por uma meta mais ambiciosa.

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 25/06/2026, às 05:53 (horário de Brasília)