Lula mantém liderança estável sobre Bolsonaro às vésperas da eleição no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro antes das eleições brasileiras de outubro, de acordo com uma nova pesquisa.
Lula lidera Bolsonaro por cerca de 7 pontos percentuais, 49% a 42%, em um possível segundo turno, de acordo com uma pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg News publicada na quarta-feira.
Os resultados mostraram pouca mudança em relação a maio, quando o apoio a Bolsonaro sofreu com seus vínculos com a figura central no maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil.
O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil suspendeu posteriormente a circulação da pesquisa da AtlasIntel depois que a campanha de Bolsonaro alegou que a empresa de pesquisas influenciou os entrevistados ao apresentar detalhes de mensagens de áudio vazadas que o ligavam ao escândalo antes de solicitar suas opiniões. O caso está atualmente sob análise.
A nova pesquisa surge no final de um mês agitado, no qual tanto o esquerdista Lula quanto Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente de direita Jair Bolsonaro, sofreram possíveis reveses.
Jacques Wagner, aliado de longa data de Lula, renunciou ao cargo de líder do governo no Senado na semana passada, após ser questionado sobre suas ligações com o escândalo do Banco Master, a mesma saga que tem pesado sobre Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, outra disputa dentro da família Bolsonaro eclodiu nas redes sociais depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo de quase 30 minutos no qual acusava Flávio de desrespeitá-la.
A disputa expôs tensões dentro da influente família conservadora e ameaçou prejudicar os esforços de Flávio Bolsonaro para ampliar o apoio entre mulheres e eleitores evangélicos, dois grupos nos quais sua madrasta exerce influência significativa.
Os eleitores que apoiam Jair Bolsonaro, no entanto, continuam apoiando Flavio, com 82% dizendo que o preferem como candidato da direita, contra 15% que dizem que Michelle deveria ser a candidata.
O Brasil também viu suas relações com os EUA se deteriorarem no último mês, depois que o governo de Donald Trump classificou dois importantes grupos criminosos como organizações terroristas estrangeiras.
Embora essa medida tenha atendido a um pedido feito por Bolsonaro durante uma visita à Casa Branca no final de maio, os EUA posteriormente ameaçaram impor novas tarifas ao Brasil como parte de uma investigação em andamento sobre suas práticas comerciais, o que pode ter dado um impulso a Lula.
O líder de 80 anos, que busca um quarto mandato como presidente, se beneficiou politicamente de uma disputa comercial com Washington no ano passado, antes de restabelecer laços com Trump, e rapidamente procurou aproveitar a renovada pressão como uma ameaça à soberania brasileira.
Lula também intensificou seus esforços para estimular a economia e fornecer ajuda aos brasileiros antes do início do período eleitoral.
Os brasileiros tendem a confiar mais na gestão da economia, da inflação e do combate à corrupção por Lula do que na de Bolsonaro, ao mesmo tempo que consideram o senador superior na luta contra o crime e o narcotráfico, segundo a pesquisa.
A AtlasIntel entrevistou 4.999 pessoas no Brasil entre 26 e 30 de junho, com uma margem de erro de mais ou menos 1 ponto percentual e um nível de confiança de 95%.
Matéria publicada na Bloomberg, no dia 01/07/2026, às 06:00 (horário de Brasília)
