Ataques russos matam 20 pessoas e expõem a carência de defesa aérea da Ucrânia
A Rússia bombardeou a Ucrânia com mísseis e drones na madrugada de segunda-feira, matando pelo menos 20 pessoas e expondo a grave escassez de interceptores de fabricação americana em Kiev, disseram autoridades, poucos dias após o ataque mais mortal à capital ucraniana neste ano.
Equipes de resgate retiravam corpos dos escombros de um prédio em Kiev, destruído por um bombardeio durante a noite. O ataque mais recente ocorreu na véspera de uma cúpula da OTAN, onde o presidente dos EUA, Donald Trump, deve se reunir com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, em uma nova tentativa de alcançar a paz.
Segundo dados da Força Aérea, as Forças Armadas da Ucrânia não conseguiram abater nenhum dos 23 mísseis balísticos disparados pela Rússia, o que reflete sua crescente vulnerabilidade aos ataques de Moscou, à medida que os estoques de seus valiosos mísseis Patriot se esgotam.
Zelensky tem repetidamente pedido mais interceptores — a única arma em seu arsenal capaz de abater projéteis balísticos, cuja alta velocidade e trajetória íngreme os tornam difíceis de interceptar.
Ele pediu “decisões firmes” na cúpula da OTAN na Turquia, que começa na terça-feira, para garantir que a Ucrânia possa se defender. Dados da força aérea ucraniana mostram que as defesas aéreas abateram apenas quatro dos 49 mísseis balísticos lançados em julho.
“Enquanto os mísseis Patriot permanecerem nos arsenais de nossos aliados, a Rússia será incentivada a continuar destruindo prédios residenciais”, disse Zelensky à emissora X. “Os EUA e a Europa têm o poder de deter esse terror.”
A Ucrânia interceptou outros 37 mísseis e mais de 90% dos 351 drones usados durante o ataque de segunda-feira, informou a Força Aérea.
Busca por sobreviventes
Pelo menos 14 pessoas morreram em Kiev e outras seis na região circundante, disseram as autoridades. Dezenas ficaram feridas. Quase 30 edifícios em toda a cidade sofreram danos significativos, afirmou o ministro do Interior, Ihor Klymenko.
As operações de busca se estenderam até a tarde de segunda-feira, enquanto equipes vasculhavam montanhas de escombros e metal retorcido no prédio de vários andares, cujos andares superiores haviam sido destruídos.
“Estamos aqui sentados esperando que eles os resgatem… Ela é tão gentil, tem apenas 19 anos. Ela é uma menina tão gentil”, disse Alyona à Reuters, contendo as lágrimas, enquanto observava a operação de resgate de um parquinho próximo.
Imagens da emissora Reuters mostraram o que pareciam ser restos humanos presos sob escombros de concreto em um andar superior de um prédio.
Os corpos de uma família inteira — dois pais e seu filho — foram retirados dos escombros, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.
O ataque de segunda-feira ocorreu dias depois do atentado mais mortal deste ano em Kiev, que matou 31 pessoas na última quinta-feira.
A Rússia intensifica a guerra aérea
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou na segunda-feira que suas forças realizaram um ataque “massivo” contra Kiev e outros locais com armas de longo alcance e alta precisão lançadas do ar, da terra e do mar, além de drones.
O ministério também afirmou que instalações militares e de energia foram atingidas em Kiev e na região circundante, assim como aeródromos militares em várias outras regiões da Ucrânia.
Moscou intensificou a guerra aérea este ano, à medida que seu avanço no campo de batalha diminuiu drasticamente, prejudicado pelos ataques ucranianos de longo alcance contra sua logística militar e indústria petrolífera.
A Ucrânia também retomou território em algumas áreas ao longo da linha de frente de 1.200 km (746 milhas), apesar da Rússia ter avançado sobre a cidade estrategicamente importante de Kostiantynivka, no leste do país.
No sábado, Zelensky negou a alegação russa de que a cidade havia sido capturada.
Na segunda-feira, os militares de Kiev disseram ter atacado três refinarias de petróleo russas — incluindo a maior do país, em Omsk, a mais de 2.414 km (1.500 milhas) de distância — bem como dois navios da “frota paralela” no Mar de Azov.
Matéria publicada na Reuters, no dia 05/07/2026, às 17:33 (horário de Brasília)