O petróleo valorizou mais de 3% com novos ataques militares que ameaçam os embarques do Canal de Ormuz
Os preços do petróleo subiram mais de 3% na segunda-feira, após novos ataques militares entre os Estados Unidos e o Irã reacenderem as preocupações sobre os carregamentos de energia pelo Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 2,47, ou 3,25%, para US$ 78,48 às 08:45 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA subiu US$ 2,35, ou 3,29%, para US$ 73,76 o barril.
“O foco continuará sendo o número de navios-tanque que chegam, já que um número menor poderia impactar a produção. Portanto, atualmente vemos um prêmio de risco, mas também um risco de interrupção que sustenta os preços”, disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.
Novos ataques dos EUA e do Irã durante o fim de semana alimentaram os temores de uma nova escalada. Teerã atacou instalações americanas em todo o Golfo no domingo e afirmou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã disse na segunda-feira ter atacado bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein.
Antes do início do conflito, no final de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do fornecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito.
“As empresas de transporte marítimo estão adotando uma abordagem cautelosa e as movimentações de entrada diminuíram devido às crescentes preocupações com a segurança”, disseram analistas do ANZ.
O tráfego de embarcações pelo estreito caiu para o nível mais baixo em cinco semanas no domingo, segundo dados de rastreamento de navios. Seis embarcações transitaram pelo estreito no domingo, de acordo com Kpler.
A escalada dos ataques lançou dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre os EUA e o Irã, assinado no mês passado, que visava reabrir o estreito e encerrar a guerra após mais 60 dias de negociações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que o Estreito de Ormuz permanece aberto ao tráfego comercial, apesar da declaração anterior do Irã de que havia fechado a hidrovia após uma embarcação ter navegado por uma rota não autorizada e sido atingida.
O Goldman Sachs estimou que a expansão da capacidade dos oleodutos no Oriente Médio poderia proteger mais de 60% das exportações de petróleo do Golfo pré-guerra de eventuais interrupções futuras no Estreito de Ormuz até o final de 2028.
A previsão do banco, em seu cenário base, pressupõe que a capacidade dos oleodutos que desviam o fluxo de Hormuz aumentará em 3,8 milhões de barris por dia até o final de 2027 e em 7,3 milhões de barris por dia cumulativamente até o final de 2028, elevando a capacidade total efetiva de desvio para mais de 14 milhões de barris por dia até o final de 2028.
Os estoques de petróleo iraniano armazenados no mar estão aumentando depois que Teerã impulsionou as exportações durante o acordo de paz provisório com os EUA. No entanto, as vendas têm sido lentas, já que as refinarias independentes da China têm recorrido ao petróleo bruto mais barato do Iraque, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNC) fixou o preço oficial de venda de agosto de seu petróleo bruto de referência, o Murban, em US$ 80,01 por barril, informou na segunda-feira, uma queda em relação aos US$ 101,48 por barril do mês anterior.
Em outro local, o Serviço de Segurança da Ucrânia informou ter atacado um depósito de petróleo na região russa de Stavropol durante a noite, bem como três tanques de armazenamento em um local de carregamento de petróleo no porto de Kavkaz, na região de Krasnodar, no sul da Rússia.
Matéria publicada na Reuters, no dia 13/07/2026, às 00:00 (horário de Brasília)