O preço do petróleo se estabiliza com a esperança de retomada das negociações entre EUA e Irã, o que compensa a ameaça dos houthis
Os preços do petróleo permaneceram estáveis nesta segunda-feira, recuando em relação às altas anteriores, já que a pressão sobre os preços, gerada pelas esperanças de retomada das negociações entre EUA e Irã, foi contrabalançada pela declaração de bloqueio naval dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita.
Os preços de referência haviam atingido anteriormente as máximas de mais de um mês devido à preocupação com a interrupção das remessas através do Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 18 centavos, ou 0,2%, para US$ 88,28 o barril às 09:22 (horário de Brasília), após atingirem US$ 91,42, sua maior cotação desde 11 de junho.
O petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caiu 34 centavos, ou 0,4%, para US$ 82,15, depois de atingir seu nível mais alto desde 12 de junho, a US$ 85,39.
Mediadores apresentaram ao Irã uma proposta para reduzir a escalada da guerra com os EUA, sugerindo um cessar-fogo de 10 dias para encontrar maneiras de reativar um acordo provisório alcançado no mês passado, disse à Reuters, nesta segunda-feira, um alto funcionário iraniano.
Os esforços para restabelecer o diálogo entre os EUA e o Irã pressionaram os preços, disse Crispus Nyaga, analista de pesquisa da Empire FX.
Redução no tráfego de navios-tanque provenientes do Golfo
No entanto, o tráfego pelo Estreito de Ormuz diminuiu drasticamente, com apenas um punhado de navios fazendo a travessia, acrescentou ele.
Os preços haviam ampliado os ganhos expressivos da semana passada, impulsionados pelas recentes hostilidades entre os EUA e o Irã, que restringiram os embarques de petróleo pelo estreito.
O conflito no Oriente Médio se intensificou durante o fim de semana, com os EUA realizando a nona noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto os aliados americanos Kuwait e Bahrein relataram mais ataques iranianos.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou na segunda-feira que dois petroleiros ficaram imobilizados após explosões enquanto tentavam transitar pelo que descreveu como uma rota insegura ao sul do Estreito de Ormuz, alegando que haviam sido incentivados pelos militares dos EUA a usar essa passagem.
A Reuters não conseguiu obter confirmação imediata dos acontecimentos.
“A narrativa sobre a oferta tornou-se mais pessimista. A recuperação esperada no transporte marítimo praticamente estagnou, com os volumes de trânsito no Estreito de Ormuz caindo para um dígito”, disseram analistas do ANZ em nota.
Quatro embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, contra oito no dia anterior, segundo dados da LSEG. Pelo menos três navios-tanque de produtos petrolíferos e um navio petroleiro de grande porte entraram no estreito desde sexta-feira para carregar petróleo, de acordo com os dados.
Os países do Golfo aumentaram as exportações de petróleo bruto e condensado na primeira quinzena de julho para o nível mais alto desde antes do início da guerra com o Irã, no final de fevereiro, segundo dados de transporte marítimo, embora o fluxo pelo Estreito de Ormuz esteja diminuindo com a escalada dos confrontos.
O colapso do cessar-fogo entre os EUA e o Irã reacendeu as preocupações sobre o fornecimento de energia que passa pelo estreito. Antes da guerra com o Irã, cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo fluía por essa hidrovia. O Irã também pressionou os houthis para que fechassem a rota do Mar Vermelho caso os EUA atacassem a infraestrutura de energia iraniana.
Matéria publicada na Reuters, no dia 20/07/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
