Preços do petróleo caem após Trump cancelar ataque ao Irã para buscar acordo
Os preços do petróleo caíram mais de US$ 5 por barril nesta segunda-feira, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou um novo ataque ao Irã na esperança de fechar um acordo rápido, embora Teerã tenha afirmado que não há negociações planejadas.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 4,49, ou 5,11%, para US$ 83,44 às 10:15 (horário de Brasília), recuperando parte das perdas da mínima de três semanas atingida no início da sessão. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA estava cotado a US$ 79,28 o barril, uma queda de US$ 5,39, ou 6,37%. Ambos os índices de referência registraram suas maiores quedas diárias em termos absolutos e percentuais desde a última segunda-feira.
Os dois contratos registraram um aumento de mais de 20% no mês passado, após a retomada dos confrontos entre os EUA e o Irã e os ataques a vários petroleiros perto de Omã, o que aumentou as preocupações com a segurança e impediu que as empresas de transporte marítimo entrassem no Golfo para carregar petróleo.
O Irã afirmou na segunda-feira que não havia negociações em andamento com os EUA e que não havia planos para quaisquer reuniões, contradizendo Trump, que havia citado negociações que, segundo ele, ocorreriam como justificativa para cancelar os ataques.
É possível concluir um acordo?
“Considerando a persistente redução dos estoques globais de petróleo, esperamos preços mais firmes em agosto — a menos, é claro, que o fluxo de petróleo na região se recupere de forma significativa e sustentável, mantendo também um olhar atento aos sinais de enfraquecimento da demanda. Sob as atuais condições de mercado voláteis, imprevisíveis e violentas, as chances de errar feio são razoavelmente altas”, disse o analista da PVM, Tamas Varga.
Seis superpetroleiros com bandeira saudita mudaram de rumo no Golfo de Aden nos últimos dias e estão se dirigindo para o sul da África, em meio a ameaças do movimento Houthi do Iêmen de atacar navios sauditas, segundo dados de rastreamento de embarcações divulgados nesta segunda-feira.
A Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido relatou três ataques a petroleiros desde sábado.
No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, conhecidos como OPEP+, aprovaram um aumento na cota de produção de petróleo de cerca de 188.000 barris por dia a partir de setembro.
As interrupções nas exportações do Golfo, da Rússia e do Cazaquistão, causadas pelas guerras no Irã e na Ucrânia, fizeram com que os sucessivos aumentos mensais da OPEP+ durante a maior parte deste ano não se traduzissem em mais petróleo no mercado.
Em outros lugares, a produção de petróleo bruto e condensado de gás do Cazaquistão caiu para cerca de 1,85 milhão de barris por dia (bpd), ou 7,6 milhões de toneladas métricas, em julho, ante 2,16 milhões de bpd em junho, disse à Reuters uma fonte do setor familiarizada com os dados operacionais.
A queda foi atribuída a interrupções no Consórcio do Oleoduto do Cáspio, a principal rota de exportação do petróleo cazaque, disse a fonte.
Matéria publicada na Reuters, no dia 03/08/2026, às 00:00 (horário de Brasília)