Os preços do petróleo caíram 4% após o Catar e Bessent aumentarem as esperanças de um acordo entre EUA e Irã

Os preços do petróleo caíram cerca de 4% na terça-feira, atingindo a mínima em três semanas, após declarações do Catar e do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, aumentarem as esperanças de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio, o que melhoraria o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros de Brent para entrega no mês seguinte caíram US$ 3,11, ou 3,71%, para US$ 80,66 o barril às 08:59 (horário de Brasília), após atingirem a máxima da sessão de US$ 86,33.

O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caiu US$ 3,58, ou 4,46%, para US$ 76,76 o barril, após atingir a máxima da sessão de US$ 82,33.

Ambos os contratos caíram para os seus níveis mais baixos desde 13 de julho.

No início da sessão, ambos os índices de referência subiram mais de 2% devido à incerteza sobre as perspectivas de um acordo entre os EUA e o Irã.

“Os preços do petróleo estão consolidando os ganhos anteriores após comentários de autoridades do Catar dizendo que uma possível resolução entre EUA e Irã foi elaborada”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou que os esforços para garantir uma solução diplomática para o conflito continuam, com mediadores do Catar, Paquistão e Omã coordenando-se estreitamente para facilitar as negociações e trocar propostas preliminares entre as duas partes.

O secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, disse na terça-feira que um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz poderia ser fechado já na terça ou quarta-feira.

Bessent disse à CNBC que tinha visto “vários” navios saindo do Estreito de Ormuz.

“Embora a produção no Oriente Médio tenha se recuperado dos níveis mais baixos, ela permanece abaixo dos níveis pré-conflito, mantendo o mercado de petróleo com oferta insuficiente”, acrescentou Staunovo.

O tráfego marítimo no Golfo sofreu poucas alterações

A disputa pelo Estreito de Ormuz é um ponto central de atrito nas negociações. Antes do início do conflito, no final de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável por cerca de um quinto do fornecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito.

Os preços do petróleo subiram no início do dia após incidentes no estreito e depois que uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters na terça-feira que o Irã deseja controlar a entrada de navios pelo Estreito de Ormuz e ter visibilidade sobre o tráfego de saída, com a capacidade de intervir se necessário, de acordo com um plano que está sendo discutido com Omã para reabrir a via navegável estratégica.

“As exportações do Golfo permaneceram sob pressão, com as travessias pelo Estreito de Ormuz apresentando apenas uma melhora marginal em relação aos níveis extremamente baixos. A situação das interrupções nas exportações permanece inalterada, com os ataques iranianos a embarcações restringindo os fluxos”, disseram analistas do ANZ.

O tráfego marítimo nas principais vias navegáveis ​​do Golfo, Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz, manteve-se praticamente inalterado no início da semana.

A região de Ormuz continua perigosa para embarcações. Na terça-feira, a agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (Maritime Trade Operations – MTO) alertou para um incidente a 20 milhas náuticas (37 km) a nordeste de Al Khasab, em Omã, após um navio cargueiro ter comunicado que havia sido atingido por um projétil desconhecido.

No Mar Vermelho, seis superpetroleiros com bandeira saudita mudaram de rumo recentemente no Golfo de Aden em direção ao sul da África, enquanto dois petroleiros carregados com petróleo saudita cruzaram o Estreito de Bab el-Mandeb, segundo dados de navegação divulgados nesta segunda-feira.

O Goldman Sachs prevê que o Brent se mantenha na faixa de US$ 80 a US$ 90 por barril até que haja a confirmação de um novo acordo entre os EUA e o Irã ou uma escalada significativa nos ataques e alvos.

Matéria publicada na Reuters, no dia 04/08/2026, às 00:00 (horário de Brasília)