O Irã afirma ter chegado a um acordo com Omã sobre a navegação no Canal de Ormuz

O Irã afirmou ter chegado a um acordo com Omã sobre uma rota proposta para navegação pelo Estreito de Ormuz, um passo potencial rumo à reabertura dessa via navegável crucial para o fornecimento de energia.

Uma declaração conjunta de Teerã e Mascate está em fase de revisão e final de redação, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, a repórteres na quarta-feira, segundo uma publicação no Telegram. As negociações entre os dois países estão “progredindo” e um acordo será alcançado “se certos terceiros não obstruírem esse processo”, afirmou.

O Irã e Omã estão em negociações há vários dias sobre um plano de gestão para o Estreito de Ormuz, que se tornou o ponto central da guerra em curso entre os EUA e a República Islâmica. Baghaei não mencionou qualquer papel para Washington, exceto para dizer que o fechamento do estreito foi resultado de ataques dos EUA e de Israel.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre o anúncio. O presidente Donald Trump afirmou na noite de terça-feira que um acordo sobre o Estreito de Ormuz é iminente. Ele já alegou repetidamente ter alcançado avanços diplomáticos no passado, mas um acordo duradouro nunca se concretizou.

Surgem rotas de trânsito em Ormuz

O Irã e um importante grupo naval ocidental propuseram um corredor cada.

O petróleo manteve as perdas após o Irã anunciar o acordo, aumentando a perspectiva de retomada do fluxo de energia pelo estreito. O Brent era negociado perto de US$ 79 o barril no início da quinta-feira, enquanto o West Texas Intermediate estava em torno de US$ 75, após perder 11% nas três primeiras sessões da semana.

O mais recente anúncio do Irã sobre o Canal de Ormuz surge após meses de impasse entre os EUA e Teerã sobre como encerrar a guerra, sendo o controle da navegação pela hidrovia um ponto de discórdia em particular. Teerã exige que as embarcações obtenham permissão para cruzar o canal e paguem taxas de trânsito, além de ter atacado navios que considera estarem em desacordo com as normas.

Os EUA, por sua vez, bloquearam os portos iranianos. Essa questão levou ao colapso do cessar-fogo e do acordo de paz provisório no mês passado.

Embora os combates entre os lados tenham cessado por ora, uma série de outras questões permanecem sem solução — principalmente o programa nuclear do Irã — e ainda não houve acordo para iniciar negociações formais.

A televisão estatal iraniana minimizou anteriormente o resultado das discussões entre Irã e Omã, citando uma fonte familiarizada com o assunto que afirmou que um acordo entre Teerã e Mascate não significaria necessariamente a abertura imediata do estreito. Isso dependeria de uma mudança no comportamento dos EUA, segundo a reportagem.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse à agência estatal IRNA que o Irã e Omã estão negociando uma “rota temporária” que permaneceria ativa por dois a quatro meses, com uma parcela significativa do tráfego passando pelas águas territoriais da República Islâmica. “Este entendimento não significa a reabertura total do Estreito de Ormuz”, afirmou.

Em entrevista à Fox News gravada na terça-feira, Trump reiterou a ameaça de que, se o Irã não “fechar um acordo, as coisas vão ficar muito ruins”. Durante o fim de semana, o presidente adiou os ataques que, segundo ele, seriam os maiores desde a Segunda Guerra Mundial.

Trump disse a repórteres em Los Angeles na noite de terça-feira que as negociações com o Irã estão “indo muito bem”, acrescentando: “Saberemos em 48 horas”.

A posição do Irã sobre o Estreito de Ormuz complicou os esforços de Trump para virar a página de uma guerra — que já dura seis meses — e que ele afirmava que duraria apenas algumas semanas. As interrupções no transporte marítimo em Ormuz elevaram os preços da energia globalmente e representam uma ameaça particular para Trump e seu Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.

Embora o tráfego visível pelo estreito tenha sido limitado, milhões de barris por dia continuaram a atravessar a hidrovia, mesmo durante períodos de elevada hostilidade nas últimas semanas. Produtores do Oriente Médio têm transportado cargas para fora do Golfo como parte de um programa de transporte implementado por diversos países da região. Mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto, é provável que algum transporte continue, visto que os armadores avaliam os riscos de retornar ao Golfo Pérsico.

O vice-presidente JD Vance sugeriu na Fox News, na noite de quarta-feira, que as rivalidades internas no próprio Irã têm dificultado as negociações.

“Eles têm um sistema fragmentado, então há pessoas dentro desse sistema que querem que a guerra termine. Há também pessoas dentro desse sistema que são radicais malucos e querem que a guerra continue”, disse Vance.

Em declaração separada, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou, em entrevista televisionada, que seu país enfrenta o “momento mais difícil desde a Revolução Islâmica”. Ele acrescentou que contatar o Líder Supremo Mojtaba Khamenei é “muito difícil neste momento”. Mojtaba Khamenei não é visto nem ouvido publicamente desde que sucedeu seu pai, o ex-Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em um ataque aéreo no início da guerra.

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 05/08/2026, às 12:30 (horário de Brasília)