Trump ameaça isolar o Irã. Quem são seus parceiros comerciais?
A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma guerra econômica e isolamento sem precedentes ao Irã pode ter implicações para os países que comercializam com ele. Trump alertou para as consequências econômicas para qualquer país que apoie o Irã.
Aqui estão alguns dos principais parceiros comerciais do Irã nos últimos anos:
China
A China, maior compradora de petróleo iraniano, poderá enfrentar pressões adicionais dos EUA em relação às suas compras caso Trump cumpra sua promessa.
Ao longo da última década, a China criou um sistema fechado de refinarias que processam principalmente petróleo iraniano e não têm muita exposição aos EUA.
O petróleo iraniano entregue à China tem sido comercializado há muito tempo como petróleo malaio e, mais recentemente, indonésio, e é negociado em um circuito fechado, com liquidação em moeda chinesa e envolvendo uma cadeia de intermediários difíceis de rastrear, segundo fontes de refinarias e comerciantes envolvidos no negócio.
Em abril, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a uma refinaria independente chinesa por comprar bilhões de dólares em petróleo iraniano e alertou os bancos chineses sobre possíveis sanções secundárias caso facilitassem o comércio de petróleo iraniano.
“Sanções e pressão não resolverão o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis a fim de resolver a questão por meios políticos e diplomáticos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, a jornalistas em uma coletiva de imprensa.
Mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino a China, já que as refinarias independentes chinesas aproveitam os descontos impostos pelas sanções americanas ao petróleo. A Kpler estima que a China comprou, em média, 1,38 milhão de barris de petróleo iraniano por dia em 2025.
Emirados Árabes Unidos
Historicamente, os Emirados Árabes Unidos têm sido uma das principais linhas de apoio econômico para o Irã, e os bancos de Dubai detêm há muito tempo depósitos substanciais ligados ao país, muitos dos quais agora estão imobilizados pelas sanções dos EUA.
Antes da guerra, os Emirados Árabes Unidos figuravam entre os maiores parceiros comerciais do Irã, representando 30% de suas importações, totalizando US$ 21 bilhões em 2024, segundo os dados mais recentes da Organização Mundial do Comércio. O país também foi responsável por 13% das exportações iranianas no mesmo ano, conforme os dados. O comércio exterior não petrolífero entre os dois países totalizou US$ 6,6 bilhões em 2024, de acordo com dados do Ministério da Economia dos Emirados Árabes Unidos, sendo a grande maioria proveniente de reexportações.
Esta semana, os Emirados Árabes Unidos suspenderam todas as transações financeiras e econômicas com o Irã até novo aviso, alegando uma escalada militar por parte de Teerã com ameaça de mísseis, o que reacendeu o foco nas tensas relações entre os dois países.
Peru
A Turquia e o Irã mantêm laços econômicos significativos, com a Turquia importando gás natural iraniano e exportando produtos manufaturados para o Irã. A Turquia não demonstrou qualquer intenção de reduzir o comércio com o Irã, que gira em torno de US$ 5 a 6 bilhões anualmente, com a Turquia exportando para o Irã cerca de US$ 3 bilhões. A Turquia importa quase todo o gás natural que consome, sendo o Irã uma fonte importante, responsável por 13% de todas as importações de gás.
Iraque
Segundo dados oficiais iraquianos, o comércio entre o Iraque e o Irã ultrapassou os US$ 10 bilhões em 2025, impulsionado principalmente pelas exportações iranianas de alimentos, bens de consumo e outros produtos para o mercado iraquiano. O comércio declinou em 2026, após o início da guerra com o Irã, que aumentou os riscos à segurança regional e levou a interrupções intermitentes em importantes passagens de fronteira, além de custos de transporte mais elevados, afirmou Mohammed Karim, funcionário do Ministério do Comércio iraquiano com conhecimento das atividades comerciais com o Irã. Essas condições, combinadas com interrupções mais amplas na cadeia de suprimentos que afetaram a movimentação de mercadorias, reduziram o volume e a confiabilidade do comércio transfronteiriço, embora os países continuem sendo importantes parceiros comerciais, disse Karim.
A energia é um elemento fundamental nessa relação. O Iraque paga ao Irã entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões por ano pelo gás natural, segundo autoridades iraquianas do setor energético, gás esse utilizado para gerar eletricidade. Dois funcionários iraquianos do setor energético afirmaram que quaisquer novas sanções americanas contra o Iraque poderiam criar desafios significativos para Bagdá na manutenção dos pagamentos pela energia iraniana, evitando, ao mesmo tempo, a exposição às sanções americanas, especialmente considerando as restrições existentes que obrigam o Iraque a utilizar contas restritas para efetuar os pagamentos.
Omã
Omã mantém relações cordiais com o Irã há muito tempo, desde antes da Revolução Islâmica de 1979, com Mascate frequentemente atuando como mediadora entre o Irã e outros países, incluindo os Estados Unidos.
A relação comercial entre os países cresceu nos últimos anos, com o comércio de mercadorias totalizando US$ 1,5 bilhão em 2025 e US$ 345 milhões nos primeiros quatro meses deste ano, de acordo com dados do Centro Nacional de Estatísticas e Informação de Omã.
Paquistão
Para o Paquistão, qualquer ação dos EUA contra países envolvidos no comércio ou na assistência ao Irã poderia ser um sério revés, disseram analistas, em meio aos compromissos entre Paquistão e Irã de expandir o comércio bilateral para US$ 10 bilhões.
Após as sanções impostas ao Irã, o comércio formal entre os dois países ficou praticamente paralisado até recentemente. No entanto, o comércio informal elevou as exportações e importações de ambos os lados para aproximadamente US$ 4 bilhões, segundo estatísticas não oficiais. Após a assinatura do acordo provisório de Islamabad, em junho, esforços foram rapidamente empreendidos para expandir a cooperação comercial. Paquistão e Irã negociam há anos petróleo, trigo, arroz, gado e medicamentos por meio de canais informais.
Índia
O comércio da Índia com o Irã caiu drasticamente em 2020, quando Washington intensificou as sanções contra Teerã.
O comércio bilateral foi reduzido em mais de dois terços, para cerca de US$ 4,8 bilhões no ano fiscal de 2019-20, ante US$ 17 bilhões no ano anterior. Ao longo dos anos, o comércio entre a Índia e o Irã caiu ainda mais, atingindo US$ 1,63 bilhão no ano fiscal de 2025/26, segundo dados do Ministério do Comércio da Índia.
As exportações indianas, no valor de 1,3 bilhão de dólares, representam a maior parte desse comércio, já que Nova Déli envia principalmente cereais, chá, café e especiarias para o Irã.
Autoridades em Nova Délhi já afirmaram que essas exportações continuam por razões humanitárias e devem permanecer fora do escopo de quaisquer sanções.
Armênia
Segundo estatísticas oficiais armênias, o Irã representou US$ 768 milhões, ou 3,6% do volume total de comércio da vizinha Armênia em 2025. O volume de comércio da Armênia com o Irã atingiu US$ 371,4 milhões no primeiro semestre de 2026, representando um aumento de 8,4%. As exportações foram registradas em US$ 42,8 milhões, uma queda de 6%, enquanto as importações totalizaram US$ 336,9 milhões, um aumento de 12%.
Cerca de 20% do comércio exterior da Armênia passa pelo Irã. A Armênia e o Irã têm um acordo de troca de gás por eletricidade, no qual a Armênia utiliza gás fornecido pelo Irã para gerar eletricidade, que é então enviada de volta ao Irã e também utilizada internamente na Armênia.
Azerbaijão
O volume de comércio entre o Azerbaijão e o Irã aumentou 4,5% no período de janeiro a junho de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo US$ 312,6 milhões, contra US$ 299,1 milhões, segundo o Comitê Estatal de Alfândega do Azerbaijão. As importações do Azerbaijão provenientes do Irã cresceram 1,5%, passando de US$ 292,7 milhões em 2025 para US$ 297 milhões.
As exportações do Azerbaijão para o Irã aumentaram 2,4 vezes, passando de US$ 6,4 milhões no período de janeiro a junho de 2025 para US$ 15,6 milhões.
O Irã representou 3,56% do total das importações do Azerbaijão, um aumento em relação aos 2,54% registrados entre janeiro e junho de 2025.
Matéria publicada na Reuters, no dia 20/08/2026, às 11:32 (horário de Brasília)

