Por que o Estreito de Bab el-Mandeb é tão importante?
Os houthis, apoiados pelo Irã, buscam controlar toda a costa iemenita do Mar Vermelho, o que consolidaria ainda mais sua influência sobre o Estreito de Bab el-Mandeb — um dos pontos de estrangulamento marítimo globais mais movimentados e disputados.
O grupo militante já declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, e o domínio dos Houthis sobre o estreito de Bab el-Mandeb isolaria ainda mais os produtores de petróleo do Golfo de suas principais rotas de navegação.
Onde está Bab El-Mandeb
Apelidado de “Portão das Lágrimas” devido às suas perigosas condições de navegação, o estreito na extremidade sul do Mar Vermelho está localizado entre o Iêmen, na Península Arábica, e o Djibuti e a Eritreia, na costa africana.
Fica no lado oposto da península em relação ao Estreito de Ormuz, que tem sido um ponto focal importante durante a guerra entre os EUA e o Irã.
A hidrovia tem 29 km de largura em seu ponto mais estreito, limitando o tráfego a dois canais para remessas de entrada e saída, divididos pela ilha iemenita de Perim (Mayyun em árabe).
Ao norte ficam as Ilhas Hanish, posicionadas entre as cidades portuárias de Hodeida e Mocha, o que confere a quem as controla uma visão privilegiada sobre as embarcações que se aproximam. Os houthis controlam Hodeida, que utilizam como base para sua ampla campanha de ataques à navegação no Mar Vermelho.
O grupo militante tem avançado cada vez mais para o sul, conquistando Mocha, a histórica cidade portuária amplamente considerada o berço do comércio mundial de café. Mais ao sul ainda fica Dhubab, uma cidade situada diretamente às margens do Estreito — o que a torna um prêmio crucial no avanço dos Houthis rumo ao sul. Controlar Dhubab e a ilha de Perim é fundamental para obter o domínio do estreito.
Quais remessas passam por Bab El-Mandeb?
O estreito é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte marítimo global de mercadorias e produtos, principalmente da Ásia para a Europa através do Canal de Suez. É também vital para o tráfego do gasoduto Suez-Mediterrâneo, na costa egípcia do Mar Vermelho, bem como para as mercadorias destinadas à Ásia, incluindo o petróleo russo.
Serve como porta de entrada sul para o Canal de Suez, o que significa que os navios precisam passar por ele para acessar o canal pelo sul.
A interrupção da navegação no estreito obriga os navios a desviarem-se do Cabo da Boa Esperança, no sul da África, acrescentando semanas e custos significativos ao que, de outra forma, seria uma viagem simples.
O que significaria o controle dos Houthis?
Mesmo a interrupção parcial do estreito provou ser devastadora. No final de 2023, os houthis lançaram uma campanha contínua de ataques a navios no sul do Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, alegando que se tratava de um ato de solidariedade aos palestinos em Gaza durante a guerra entre o Hamas e Israel.
O impacto foi imediato e de longo alcance. Grandes empresas de transporte marítimo e petrolíferas — incluindo a Hapag-Lloyd, MSC e Maersk, a gigante petrolífera BP e o grupo de petroleiros Frontline — desviaram as embarcações do Canal de Suez, passando a circundar o continente africano.
Os custos de frete dispararam e os tempos de viagem aumentaram significativamente.
O controle exercido pelos houthis sobre a hidrovia poderia dar ao seu patrocinador, o Irã, uma vantagem crucial em sua guerra contra os Estados Unidos, que já viu uma forte redução nas remessas de energia pelo Estreito de Ormuz, fazendo com que os preços do petróleo disparassem.
De acordo com dados da Kpler, o volume total de petróleo que transitou pelo estreito de Bab el-Mandeb representou cerca de 7% da produção mundial de petróleo em junho.
Matéria publicada na Reuters, no dia 10/09/2026, às 08:46 (horário de Brasília)

