Os preços do petróleo recuam ligeiramente com o alívio dos temores sobre a interrupção do fornecimento saudita
Os preços do petróleo caíram na sexta-feira, com a diminuição das preocupações com as interrupções no fornecimento saudita superando a ansiedade em relação à ampliação do conflito no Oriente Médio.
Às 09:25 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent caíram 88 centavos, ou 0,84%, para US$ 103,94 o barril. Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA permaneceram praticamente inalterados, cotados a US$ 102,15.
Os preços de referência do Brent estão a caminho de registrar sua primeira perda semanal em três semanas, com queda de 0,8%.
As preocupações imediatas com a escassez de oferta foram atenuadas por uma combinação de fatores, incluindo o aumento do carregamento de petróleo bruto pela Arábia Saudita via Omã, o aumento dos estoques de derivados de petróleo nos EUA, em Singapura e na Europa, além do aumento das exportações de combustível da China, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
“Embora não se possa descartar a continuidade da realização de lucros antes do fim de semana, a atual conjuntura fundamental não justifica uma queda prolongada abaixo de US$ 100 (por barril) com base no Brent”, acrescentou Varga.
Os mercados, em grande parte, ignoraram as preocupações, mesmo com a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, trocando novos ataques na fronteira na quinta-feira, expandindo a frente de guerra no Oriente Médio.
Os preços subiram para perto das máximas dos últimos quatro meses no início da semana, depois que fontes disseram que os carregamentos de petróleo bruto no centro de exportação do Mar Vermelho, em Yanbu, na Arábia Saudita, foram suspensos e que Riad cancelou algumas entregas para a Europa após seu oleoduto Leste-Oeste ter sido danificado em um ataque na semana passada.
No entanto, os preços recuaram desde então, após relatos de que a Arábia Saudita buscava restaurar cerca de metade da capacidade de seu oleoduto Leste-Oeste em poucos dias. Fontes que falaram à Reuters apresentaram estimativas variadas sobre quanto tempo levará para reabrir o oleoduto e normalizar o fluxo de petróleo bruto.
Além disso, as exportações chinesas de produtos petrolíferos refinados em agosto aumentaram 12,7% em relação ao ano anterior, com as exportações de querosene de aviação atingindo um recorde histórico, segundo dados alfandegários divulgados na sexta-feira. A expectativa é de que a China continue a flexibilizar os controles de exportação em setembro, o que lhe permitirá lucrar com margens de lucro mais elevadas no exterior.
Os estoques de produtos refinados cresceram 3,7 milhões de barris na semana passada, de acordo com dados de uma nota do Morgan Stanley, impulsionados pela produção no Ocidente e em Singapura.
“A questão fundamental é se os fluxos físicos podem se normalizar e qual seria o cronograma. Se observarmos uma melhora sustentada no tráfego de Ormuz, parte do prêmio geopolítico poderá ser ainda mais reduzido”, disse Priyanka Sachdeva, chefe de insights de mercado da Phillip Nova.
No entanto, o transporte de petróleo pela região continua sendo arriscado.
Quatro navios mercantes atravessaram o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, na quinta-feira, número inferior à média de 16 dos últimos 10 dias, segundo dados preliminares de navegação divulgados na sexta-feira. Três navios de gás natural liquefeito também reapareceram na saída do Estreito de Ormuz na quinta-feira, de acordo com dados da Kpler.
Os números podem mudar, pois alguns navios normalmente desligam seus transponders durante a viagem para evitar o risco de detecção na zona de conflito.
Os Estados Unidos e o Irã não realizaram negociações de paz desde o colapso do acordo provisório alcançado em junho. A guerra será debatida na Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima semana, e uma delegação iraniana poderá participar, segundo o Departamento de Estado americano.
Matéria publicada na Reuters, no dia 18/09/2026, às 00:00 (horário de Brasília)
