Raízen convoca assembleia para votar novo conselho e reestruturação

O conselho de administração da Raízen aprovou, nesta terça-feira (29), medidas para implementar o plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em julho. Dentre elas, estão a eleição de um novo colegiado, o aumento do limite de capital autorizado para a empresa e a criação de um programa de units —cesta de ações que são negociadas juntas no mercado sob um único código.

Segundo fato relevante enviado pela companhia à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), as propostas do conselho serão submetidas aos acionistas.

“A administração reafirma seu compromisso com a implementação do plano e entende que as medidas ora aprovadas representam etapas relevantes para o fortalecimento da estrutura financeira e de governança da Raízen, contribuindo para geração de valor sustentável”, afirma a empresa no documento.

A companhia também publicou edital de convocação da assembleia geral extraordinária que vai apreciar as deliberações do conselho, marcada para 30 de outubro, em ambiente virtual.

Conforme a pauta, os acionistas votarão temas como a ampliação do capital autorizado da empresa para até 200 bilhões de ações sem a necessidade de uma reforma do estatuto, a eleição de um novo conselho de administração, além da criação de uma nova classe de ações preferenciais e de um programa de emissão de units —cestas de ativos da empresa.

Também será discutida a redução do capital social da empresa em até R$ 35 bilhões por meio da distribuição de ativos da Raízen Energia S.A. e ajustes no plano de remuneração baseada em ações.

A companhia explica que, caso sejam aprovadas as medidas, o capital social da Raízen passará a ter três classes de ativos: ordinários (que dão direito a voto), preferenciais classe A e preferenciais classe B, ambas dando direito à preferência no pagamento de proventos. Com essa divisão, serão criadas units da empresa juntando uma ação ordinária e uma preferencial classe A.

Como está a recuperação extrajudicial da Raízen

Homologado em 30 de julho, com apoio de 81,6% dos credores, o plano de recuperação extrajudicial da Raízen prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas.

O plano envolve a conversão de 45% dos créditos em participação acionária dos credores, no valor de R$ 0,25 por ação. Os outros 55% serão transformados em novos títulos de dívida, por meio de substituição, refinanciamento ou aditamento. A Shell, controladora da Raízen, se comprometeu a entrar com R$ 3,5 bilhões, e Ometto ainda estuda entrar com R$ 500 milhões.

Em paralelo, a empresa realizará um programa de desinvestimentos e vai separar o negócio de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar, fundidos em 2011, quando a Shell se juntou à Cosan para criar a empresa.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 01/10/2026, às 06:00 (horário de Brasília)