O preço do petróleo cai enquanto os investidores monitoram o acordo de diesel com a Rússia e os ataques na Arábia Saudita

Os preços do petróleo caíram mais de 1,5% na terça-feira, um dia depois de o Brent, referência internacional, ter atingido a máxima em quase um mês, enquanto os investidores monitoravam os ataques à Arábia Saudita e as perspectivas de aumento no fornecimento de diesel da Rússia.

Às 09:53 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 1,80, ou 1,69%, para US$ 104,85 o barril, enquanto os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuaram US$ 1,19, ou 1,27%, para US$ 92,55 o barril.

Ambos os preços de referência subiram quase US$ 2 por barril na sessão anterior, com o Brent fechando em seu nível mais alto desde 15 de setembro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Rússia concordou em fornecer diesel para os mercados globais, e seu governo suspendeu temporariamente as sanções americanas ao combustível russo, sanções essas que visavam privar Moscou da receita necessária para sua guerra na Ucrânia.

Suprimentos adicionais poderiam ajudar a aliviar a pressão nos mercados globais de combustíveis, atenuando algumas das preocupações com o abastecimento que têm sustentado os preços do petróleo bruto recentemente.

“A promessa da Rússia de fornecer de 3 a 3,5 milhões de toneladas por mês até o final do ano dificilmente será cumprida, dada a situação crítica do setor de refino do país”, disse Tamas Varga, analista associado da PVM Oil.

Parlamentares de ambos os partidos nos EUA reclamaram que o acordo de Trump com Putin parece violar a lei americana que proíbe a importação de energia russa até que Moscou cesse sua agressão contra a Ucrânia.

As preocupações com a vulnerabilidade da infraestrutura energética e das rotas marítimas do Golfo permaneceram em foco depois que os houthis, alinhados ao Irã, atacaram o aeroporto internacional de Riad no fim de semana, enquanto ataques a petroleiros foram relatados perto do Estreito de Ormuz.

A falta de progresso na desescalada na Europa Oriental e no Oriente Médio manteve o prêmio de risco elevado, disse Varga, da PVM, acrescentando que o aumento dos ataques a petroleiros comerciais e as tensões entre os houthis e a Arábia Saudita estavam garantindo que as exportações da região não se aproximassem dos níveis máximos observados em setembro.

Na terça-feira, a OPEP elevou sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo em 2027, citando a necessidade de o mundo reconstruir os estoques que foram esgotados pela guerra com o Irã.

Os ministros da OPEP e dos países participantes não pertencentes à OPEP, presentes na Declaração de Cooperação, afirmaram que os custos de transporte e seguro dispararam para níveis sem precedentes, superiores a um terço do valor da commodity, o que dificulta o transporte eficiente de petróleo bruto e derivados.

“Outra questão crucial é se, após as eleições de meio de mandato nos EUA, no início de novembro, haverá uma nova escalada entre os EUA e o Irã, ou se um acordo poderá ser alcançado. De acordo com declarações do presidente dos EUA, Trump, ambos os resultados são possíveis”, escreveu o analista do Commerzbank, Carsten Fritsch, em uma nota.

Matéria publicada na Reuters, no dia 13/10/2026, às 00:00 (horário de Brasília)