Após anúncio de apoio a agricultores, ministros da UE se reúnem para destravar acordo com Mercosul
A Comissão Europeia anunciou o adiantamento de incentivos financeiros para agricultores, em mais uma tentativa de reduzir resistências internas e viabilizar a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. A proposta prevê a liberação antecipada de até € 45 bilhões para o setor. Os 27 ministros da Agricultura do bloco participam de uma reunião extraordinária em Bruxelas, na tarde desta quarta-feira (7), para superar últimos entraves.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviou uma carta aos Estados-membros e ao Parlamento Europeu propondo ajustes na Política Agrícola Comum (PAC) do bloco para o próximo ciclo orçamentário de 2028-2034. A medida prevê o acesso antecipado a recursos e funciona como uma injeção financeira para aumentar a competitividade dos agricultores europeus.
Nas palavras de Von der Leyen, a iniciativa tem como objetivo tornar o setor agrícola mais preparado para enfrentar pressões globais, incluindo os impactos de acordos comerciais. O pacote se soma às salvaguardas já aprovadas pelo Parlamento Europeu, que criaram mecanismos de proteção ao mercado agrícola europeu no contexto do acordo com o Mercosul.
A assinatura da parceria, prevista para o mês passado, foi adiada após a Itália, liderada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, pedir mais tempo para negociar apoio interno, especialmente entre agricultores. O voto italiano é considerado decisivo no Conselho Europeu, já que França, Polônia e Hungria permanecem contrárias ao acordo.
Os agricultores franceses continuam sendo o principal foco de resistência. Eles argumentam que o tratado abriria espaço para concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na União Europeia.
Reação dos países aos incentivos
O novo pacote financeiro foi recebido de forma positiva e, ao que tudo indica, garantiu o apoio decisivo da Itália ao acordo com o Mercosul. Giorgia Meloni divulgou um comunicado celebrando a iniciativa da Comissão Europeia, e novas sinalizações devem surgir nos próximos dias. Alemanha e Espanha seguem favoráveis ao tratado e veem os incentivos como um instrumento para destravar o processo.
Já a França mantém posição contrária. Agricultores locais afirmam que a proposta não altera o cenário e prometem ampliar as manifestações caso o acordo avance. Nesta semana, o governo francês anunciou a suspensão da importação de produtos agrícolas da América do Sul que contenham resíduos de pesticidas proibidos na União Europeia. A Comissão Europeia tem dez dias para decidir se veta ou se estende a medida a todo o bloco.
Próximos passos para o avanço do acordo EU-Mercosul
Na tarde desta quarta-feira (7), os 27 ministros da Agricultura da União Europeia participam de uma reunião extraordinária em Bruxelas. Na pauta estão a nova proposta orçamentária da Comissão e a decisão unilateral adotada pela França.
Caso a Itália confirme oficialmente o apoio ao acordo, uma votação no Conselho Europeu pode ocorrer já nesta sexta-feira. O voto italiano deve garantir a maioria qualificada necessária, reunindo países que representem ao menos 65% da população do bloco.
Se aprovado no Conselho, o acordo avança para a assinatura formal entre União Europeia e Mercosul, que pode acontecer no dia 12 deste mês no Paraguai, país que se encontra na presidência rotativa do bloco sul-americano. A etapa final será a análise e votação no Parlamento Europeu, prevista para acontecer ao longo deste ano.
Matéria publicada no portal UOL, publicada no dia 07/01/2026, às 06:21 (horário de Brasília)

