Importadores dizem que risco de falta de diesel em abril diminuiu

A Abicom, associação dos importadores de combustíveis, afirma que o cenário de abastecimento de diesel está mais favorável para abril. Antes, havia risco de falta do produto devido à baixa entrada de navios no país. Segundo o presidente da entidade, Sérgio Araújo, a situação decorre tanto do volume prometido pelas refinarias nacionais (Petrobras e privadas) e seu esforço dessas unidades em operar com taxas de utilização muito elevadas, tanto pela chegada programada de novos navios para a entrega de combustível.

— A programação de volume dá mais tranquilidade em relação ao mês de abril. Não há motivo para alarde.

De acordo com o Araújo, grande parte do diesel importado vem da Rússia, que tem oferecido descontos. Embora os preços não sejam suficientes para eliminar a defasagem de preços, que chega a 60%. A diferença de valor chega a quase R$ 3.

– E acredito que as distribuidoras já testaram o mercado e perceberam que alguns consumidores estão dispostos a pagar um preço acima do praticado pela Petrobras. Quando as distribuidoras veem essa disposição de pagar mais, acabam assumindo o risco e trazendo mais produto. Eles continuam preferindo comprar da Petrobras, mas, na falta, preferem pagar mais caro do que ficar sem produto.

A entidade também observa que a demanda está aquecida, tanto por antecipação de compras quanto pelo próprio ritmo da atividade. O início da colheita de soja e de outros grãos, por exemplo, aumenta a procura pelo combustível.

Sobre relatos de falta de produto em algumas regiões, a avaliação do presidente da Abicom de que há um conjunto de fatores. No Rio Grande do Sul, por exemplo, houve aumento da demanda provocado por mudanças na previsão da colheita do arroz, o que pegou distribuidoras despreparadas.

Também houve corrida aos postos: diante da expectativa de alta de preços, muitos consumidores anteciparam compras, pressionando ainda mais a demanda. Na maior parte dos casos, porém, o problema não é falta de produto, mas dificuldade de negociação.

— Ou seja, o problema não é necessariamente escassez. Em muitos casos, o consumidor não quer ou não consegue pagar o preço mais alto. Isso gera reclamações que chegam aos sindicatos, à imprensa e até ao Ministério Público.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 26/03/2026, às 06:00 (horário de Brasília)