O mercado mundial de petróleo enfrenta um excedente significativo no primeiro trimestre, afirma a AIE

O mercado global de petróleo apresentará um excedente significativo no primeiro trimestre de 2026, afirmou a Agência Internacional de Energia nesta quarta-feira, uma vez que, até o momento, o excesso de oferta compensou o risco geopolítico de interrupções.

A AIE (Agência Internacional de Energia), que assessora os países industrializados, projetou em seu relatório mensal sobre petróleo que a oferta global de petróleo excederia a demanda em 4,25 milhões de barris por dia no primeiro trimestre. Um excedente dessa magnitude representaria cerca de 4% da demanda mundial e é maior do que outras previsões.

Os preços do petróleo subiram cerca de 6% desde o início do ano, impulsionados por preocupações geopolíticas e possíveis perturbações no mercado petrolífero. O Brent, referência global, era negociado a US$ 65,02 às 11h42 GMT de quarta-feira, com alta de 10 centavos no dia.

Os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro no início do mês e pediram às empresas petrolíferas que investissem na Venezuela para impulsionar a produção, mas, a curto prazo, o fornecimento do país foi interrompido.

As ameaças de possíveis ataques dos EUA ao Irã também aumentaram a perspectiva de redução no fornecimento, e os ataques com drones e problemas técnicos reduziram a produção no Cazaquistão.

“A menos que ocorram interrupções significativas no fornecimento do Irã e da Venezuela, ou que outros produtores reduzam ainda mais a produção, é provável que um excedente significativo ressurja no primeiro trimestre de 2026”, afirmou a AIE (Agência Internacional de Energia).

“Por enquanto, os saldos elevados oferecem algum conforto aos participantes do mercado e têm mantido os preços sob controle.”

A OPEP+ suspendeu as atividades após uma série de aumentos na produção.

A oferta cresceu mais rápido que a demanda principalmente porque a OPEP+, ou Organização dos Países Exportadores de Petróleo, mais a Rússia e outros aliados, começou a aumentar a produção em abril de 2025, após anos de cortes. Outros produtores, como os EUA, a Guiana e o Brasil, também aumentaram a produção.

A OPEP+, no entanto, suspendeu os aumentos de produção para o primeiro trimestre de 2026.

Para o ano todo, o mercado enfrenta um excedente implícito de 3,69 milhões de barris por dia, segundo os últimos dados da AIE divulgados na quarta-feira, uma revisão para baixo em relação aos 3,84 milhões de barris por dia do relatório do mês passado.

Contribuindo para reduzir a previsão de excedente, a AIE (Agência Internacional de Energia) revisou para cima sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo em 70.000 barris por dia, para 930.000 barris por dia, citando o que chamou de normalização das condições econômicas após a turbulência tarifária do ano passado e preços do petróleo mais baixos do que há um ano.

A AIE afirmou que ainda é cedo para avaliar todas as implicações dos últimos desenvolvimentos geopolíticos no mercado de petróleo, mas disse que o bloqueio dos EUA às exportações de petróleo venezuelano reduziu as exportações em 580.000 barris por dia de dezembro ao início de janeiro.

A temporada de manutenção da refinaria aumenta o excedente.

O excedente deverá aumentar, em particular, no primeiro trimestre, pois é nesse período que as refinarias de petróleo globais realizam paradas programadas e a demanda é menor.

“Com o início iminente da manutenção sazonal das refinarias, que reduz a demanda por petróleo bruto, serão necessárias novas reduções na produção de petróleo bruto”, afirmou a AIE (Agência Internacional de Energia), com sede em Paris.

A OPEP, organização rival em previsões, espera um crescimento da demanda mais rápido do que a AIE (Agência Internacional de Energia), prevendo um aumento no consumo de petróleo de 1,38 milhão de barris por dia este ano. Os dados da OPEP indicam um equilíbrio próximo entre oferta e demanda em 2026, segundo cálculos da Reuters, e não um excedente.

Em relação à oferta, a AIE revisou para cima sua previsão de crescimento global para este ano, de cerca de 2,4 milhões de barris por dia em dezembro para 2,5 milhões de barris por dia, afirmando que cerca de 52% do crescimento virá de fora da OPEP+.

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 21/01/2026, às 06:10 (horário de Brasília)