O petróleo volta a ter preços positivos, apesar das persistentes interrupções no fornecimento no Oriente Médio
Os preços do petróleo Brent se tornaram positivos, uma vez que as interrupções no fornecimento — desde paralisações de produtores no Golfo até novos ataques à infraestrutura energética regional — superaram a pressão da retomada das exportações por oleoduto do Iraque para o porto de Ceyhan, na Turquia.
Sem sinais de desescalada no conflito com o Irã, os preços futuros do petróleo Brent, referência internacional, se mantiveram acima de US$ 100 por barril nas últimas quatro sessões.
Os contratos futuros do Brent subiram 61 centavos, ou 0,6%, para US$ 104,02 o barril às 08:55 (horário de Brasília) de quarta-feira, depois de caírem para US$ 100,34 no início da sessão.
Em contrapartida, o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caiu US$ 1,28, ou 1,3%, para US$ 94,93.
O analista do banco Saxo, Ole Hansen, afirmou que a divergência nas direções dos preços dos dois contratos “reflete cada vez mais as credenciais do WTI como um contrato focado principalmente nos EUA, enquanto a disrupção global é cada vez mais demonstrada pelo Brent, seu primo marítimo”.
Exportações iraquianas são retomadas via oleoduto
No Iraque, fontes da North Oil Company disseram que as exportações foram retomadas por meio de oleoduto depois que Bagdá e o Governo Regional do Curdistão concordaram, na terça-feira, em reiniciar o fluxo.
Dois funcionários do setor petrolífero disseram na semana passada que o Iraque pretendia bombear pelo menos 100.000 barris por dia através do porto.
“Apesar desse desenvolvimento, o alívio no fornecimento continua limitado, com a produção do Iraque em cerca de um terço dos níveis pré-crise e o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz ainda bastante restrito”, disse a analista da MUFG, Soojin Kim.
A produção de petróleo dos principais campos petrolíferos do sul do Iraque, onde se produz e exporta a maior parte do petróleo bruto, caiu 70%, para apenas 1,3 milhão de barris por dia, disseram fontes em 8 de março, uma vez que o conflito com o Irã fechou efetivamente o vital Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Entretanto, a agência de notícias semioficial Tasnim informou na quarta-feira que algumas instalações pertencentes à indústria petrolífera iraniana em Pars do Sul e Asaluyeh foram atacadas, acrescentando que a extensão dos danos ainda não estava clara.
Fluxos do campo petrolífero de Sharara sendo redirecionados
O exército dos EUA afirmou na terça-feira que havia atacado alvos ao longo da costa iraniana perto do Estreito de Ormuz porque os mísseis antinavio iranianos representavam um risco para a navegação internacional na região.
O Irã confirmou na terça-feira que seu chefe de segurança, Ali Larijani, foi morto em um ataque israelense.
A morte de Larijani e os ataques militares dos EUA contra posições costeiras iranianas perto do estreito aumentaram as esperanças de que o conflito pudesse terminar mais cedo, disse Mingyu Gao, pesquisador-chefe de energia e produtos químicos da China Futures.
Entretanto, a Corporação Nacional de Petróleo da Líbia informou na manhã de quarta-feira que o fluxo de petróleo do campo de Sharara estava sendo gradualmente redirecionado por meio de oleodutos alternativos após um incêndio ter começado.
Os estoques de petróleo bruto dos EUA subiram 6,56 milhões de barris na semana encerrada em 13 de março, disseram fontes de mercado, citando dados do API divulgados na terça-feira, um aumento bem acima da previsão de cerca de 380.000 barris em uma pesquisa da Reuters.
Matéria publicada na Reuters, no dia 18/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)