O preço do petróleo cai à medida que a incerteza no Oriente Médio mantém os mercados em alerta
O petróleo reverteu os ganhos iniciais nesta quarta-feira, com a incerteza sobre a situação no Oriente Médio afetando os mercados e o presidente dos EUA, Donald Trump, sugerindo novamente que a guerra entre EUA e Israel com o Irã pode estar perto do fim.
O contrato futuro do petróleo Brent para junho caiu US$ 1,06, ou 1%, para US$ 102,91 por barril às 08:06 (horário de Brasília), após ter atingido a mínima da sessão de US$ 98,35. Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA para maio recuaram US$ 1,44, ou 1,4%, para US$ 99,94 por barril, depois de terem caído para US$ 96,50 mais cedo.
Os preços subiram no início da quarta-feira, mas a incerteza em relação ao conflito no Oriente Médio levou os investidores a realizarem os lucros.
“Os preços do petróleo caíram depois que o presidente dos EUA, Trump, sinalizou um possível fim da guerra com o Irã”, disse o ING em um relatório.
As interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio aumentarão em abril e afetarão a Europa, já que o fechamento do Estreito de Ormuz impacta ainda mais as exportações, afirmou o chefe da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, na quarta-feira.
Trump afirma que pode encerrar o conflito sem um acordo
Os contratos futuros do Brent para entrega em junho fecharam em queda de mais de US$ 3 na terça-feira, após relatos não confirmados da mídia de que o presidente do Irã estaria pronto para encerrar a guerra.
Trump disse a repórteres na terça-feira que os EUA poderiam encerrar a campanha militar dentro de duas a três semanas e que o Irã não precisa fazer um acordo para pôr fim ao conflito, sua declaração mais clara até o momento de que deseja encerrar a guerra que já dura um mês.
Ainda assim, os analistas preveem que o fluxo de energia através do Estreito de Ormuz demoraria a retornar aos níveis anteriores ao conflito, mesmo que um cessar-fogo fosse anunciado.
“Mesmo que o Estreito seja reaberto, a resolução do atraso na chegada de navios levará tempo, com a produção, as exportações e os fluxos de GNL se normalizando apenas gradualmente, e não imediatamente”, disse o ING.
Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, Trump indicou que poderia encerrar a guerra antes de reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.
“Mesmo com os canais diplomáticos ainda ativos, segundo relatos, e com comentários intermitentes da administração dos EUA prevendo um fim próximo para o conflito, a combinação de progresso diplomático tangível limitado, ataques marítimos contínuos e ameaças explícitas contra ativos energéticos mantém os riscos de fornecimento inclinados para o lado positivo”, disseram analistas da LSEG em nota.
Queda na produção dos grandes produtores
Para ilustrar o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, a produção de petróleo bruto da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) caiu 7,5 milhões de barris por dia em março em comparação com o mês anterior, já que os produtores foram forçados a reduzir a produção devido à saturação dos estoques.
A produção de petróleo bruto dos EUA também caiu, registrando a maior queda em dois anos em janeiro, após uma forte tempestade de inverno interromper a produção, segundo dados divulgados na terça-feira pela Administração de Informação de Energia (EIA).
A Arábia Saudita poderá elevar seus preços oficiais de venda de petróleo bruto para a Ásia a níveis recordes em maio, depois que o petróleo do Oriente Médio se tornou o mais caro do mundo em decorrência das interrupções sem precedentes no fornecimento causadas pela guerra com o Irã, segundo uma pesquisa da Reuters com fontes do setor.
Matéria publicada na Reuters, no dia 01/04/2026, às 00:00 (horário de Brasília)