O preço do petróleo deve ficar próximo de US$ 60 por barril, já que o excesso de oferta supera os riscos geopolíticos, segundo pesquisa da Reuters

Os preços do petróleo devem se manter próximos da marca de US$ 60 por barril este ano, já que a perspectiva de excesso de oferta no mercado compensa o impacto das tensões geopolíticas que podem interromper os carregamentos, mostrou uma pesquisa da Reuters divulgada nesta sexta-feira.

Uma pesquisa realizada em janeiro com 31 economistas e analistas previu que o petróleo Brent teria um preço médio de US$ 62,02 por barril em 2026, um pouco acima da previsão de dezembro, de US$ 61,27. O Brent estava sendo negociado em torno de US$ 70 em 30 de janeiro e teve uma média de cerca de US$ 68,20 no ano passado.

O preço médio do petróleo bruto nos EUA deverá ser de US$ 58,72 por barril, em comparação com a estimativa de dezembro de US$ 58,15. Em 2025, os preços médios foram de US$ 64,73.

A geopolítica está em destaque após as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã, a ampliação das sanções contra a Rússia e a instabilidade no Oriente Médio. Todos esses fatores representam riscos para o abastecimento.

No entanto, analistas afirmaram que mudanças na política comercial dos EUA, a trajetória da demanda chinesa e os próximos passos da OPEP+ também influenciarão os preços este ano.

“A geopolítica gera muita instabilidade, mas nem os eventos na Venezuela nem no Irã devem alterar o panorama geral. O mercado de petróleo parece estar em um período de superávit duradouro”, afirmou Norbert Ruecker, chefe de economia e pesquisa de próxima geração do Julius Baer.

Analistas preveem que esse excedente varie entre 0,75 e 3,5 milhões de barris por dia.

O aumento do fornecimento para a Venezuela levará tempo

Analistas preveem, de forma geral, que levará anos para que ocorra um aumento significativo na produção da Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início deste mês.

Kpler prevê que o fornecimento venezuelano diminuirá até abril devido à repressão dos EUA aos petroleiros sob sanções, mas que se recuperará no segundo semestre do ano, à medida que a infraestrutura existente for reativada.

Qualquer aumento na produção de petróleo além disso exigirá investimento contínuo, estabilidade política prolongada, substituição da infraestrutura obsoleta e o apoio de empresas internacionais, acrescentou Kpler.

A política da OPEP+ também está em foco

A OPEP+, que se reúne no domingo, provavelmente não tomará nenhuma decisão além de março nessa reunião, disseram três delegados da OPEP+ à Reuters.

Os oito membros aumentaram as metas de produção de petróleo em cerca de 2,9 milhões de barris por dia no ano passado, mas suspenderam esses aumentos para o primeiro trimestre de 2026.

“A OPEP+ defenderá um preço mínimo, ao mesmo tempo que monitora sua participação de mercado. Se o consumo crescer o suficiente, a coalizão poderá aumentar a produção cuidadosamente para atender à crescente demanda sem inundar o mercado”, disse Cyrus De La Rubia, economista-chefe do Hamburg Commercial Bank.

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 30/01/2026, às 05:05 (horário de Brasília)