O preço do petróleo sobe com o receio dos investidores em relação a uma maior escalada da violência no Oriente Médio

O petróleo subiu mais de 4% nesta quinta-feira, recuperando-se das perdas da sessão anterior, à medida que as perspectivas de um conflito prolongado no Oriente Médio alimentaram preocupações com novas interrupções no fornecimento.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 4,77, ou 4,7%, para US$ 106,99 o barril às 09:20 (horário de Brasília), após atingirem a máxima da sessão de US$ 107,84. Os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganharam US$ 3,74, ou 4,1%, para US$ 94,06 o barril, após chegarem a US$ 94,84.

Ambos os índices de referência caíram mais de 2% na quarta-feira.

“A preocupação atual é uma escalada ainda maior do conflito e a manutenção das restrições no Estreito (de Ormuz) por mais tempo”, disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.

O Irã está analisando uma proposta dos EUA para encerrar a guerra, mas não tem intenção de realizar negociações para pôr fim ao conflito, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano nesta quarta-feira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, endurecerá as medidas contra o Irã se Teerã não aceitar que o país foi “derrotado militarmente”, afirmou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

O Pentágono planeja enviar milhares de tropas aerotransportadas para o Golfo para dar a Trump mais opções para um ataque terrestre, disseram fontes à Reuters, somando-se aos dois contingentes de fuzileiros navais que já estão a caminho.

“A escalada militar em curso, incluindo o envio de tropas e novos ataques, juntamente com a circulação limitada de petroleiros sob rígidas condições iranianas, continua a pressionar os mercados globais de energia”, disse a analista da MUFG, Soojin Kim.

O plano de 15 pontos de Trump

A proposta de 15 pontos de Trump, enviada por meio do Paquistão, removeria os estoques de urânio altamente enriquecido do Irã, interromperia o enriquecimento, restringiria seu programa de mísseis balísticos e cortaria o financiamento para aliados regionais, disseram três fontes do gabinete israelense familiarizadas com o plano.

O conflito praticamente paralisou os embarques pelo Estreito de Ormuz, que normalmente transporta cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo bruto e GNL, no que a Agência Internacional de Energia classificou como a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.

O primeiro-ministro japonês, Sanae Takaichi, solicitou ao diretor-geral da AIE (Agência Internacional de Energia), Fatih Birol, uma liberação coordenada adicional das reservas de petróleo na quarta-feira, numa tentativa de Tóquio de se proteger contra um conflito prolongado.

Para agravar as preocupações com o abastecimento, pelo menos 40% da capacidade de exportação de petróleo da Rússia está paralisada após ataques de drones ucranianos e a apreensão de petroleiros, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados de mercado.

O ministro dos Transportes da Turquia afirmou na quinta-feira que um drone marítimo atingiu um petroleiro turco que havia partido da Rússia, causando uma explosão perto do Bósforo, em Istambul.

A produção de petróleo iraquiana despencou, com os tanques de armazenamento atingindo níveis altos e críticos, disseram três autoridades do setor energético iraquiano na quarta-feira.

Os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 6,9 milhões de barris, atingindo 456,2 milhões de barris na semana encerrada em 20 de março, o maior nível desde junho de 2024 e superando em muito as expectativas dos analistas.

Matéria publicada na Reuters, no dia 26/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)