Os EUA aguardam resposta ao plano de paz enquanto o Irã mantém os ataques

O Irã manteve os ataques com mísseis e drones contra Israel e os estados árabes do Golfo, mesmo depois de os EUA terem apresentado um plano para pôr fim a uma guerra que causou estragos no Oriente Médio e nos mercados globais.

A Arábia Saudita interceptou um drone no leste do país, enquanto um ataque contra o Kuwait incendiou um tanque de combustível em seu principal aeroporto. A mídia iraniana informou que mais mísseis foram disparados contra Israel.

Os EUA elaboraram uma proposta de paz de 15 pontos, que o Paquistão entregou, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, destacando a urgência dentro do governo do presidente Donald Trump em resolver um conflito que começou com Israel há quase um mês.

Não há muitos indícios de que o Irã vá recuar diante do bombardeio implacável. Enquanto isso, o impacto econômico da guerra aumenta, com o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz provocando um choque no fornecimento global de energia. Isso gerou temores de uma crise inflacionária e escassez mundial de alimentos.

O Irã recebeu a proposta de Trump, informou a Associated Press na quarta-feira, citando dois funcionários paquistaneses. O plano abrange uma redução do programa nuclear iraniano — incluindo a retomada do monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica —, limites para mísseis e acesso de navios ao Estreito de Ormuz, segundo a AP. O Irã receberia alívio das rigorosas sanções econômicas.

O Irã ainda não se pronunciou sobre a proposta, mas diversas autoridades negaram que negociações estejam em andamento. Em um comunicado divulgado durante a madrugada, as forças armadas iranianas disseram aos Estados Unidos para não “chamarem sua derrota de acordo”.

“O nível dos seus conflitos internos chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si”, disseram as forças armadas em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRIB.

Trump sinalizou publicamente que qualquer acordo de paz teria que incluir uma proibição ao Irã de obter uma arma nuclear ou enriquecer material radioativo para fins civis.

O líder americano afirmou que espera chegar a um acordo até sexta-feira. Isso pode ser difícil, considerando as grandes divergências que ainda existem entre as partes, mesmo que as negociações comecem oficialmente. Não está claro com quem os EUA negociariam, dada a falta de clareza sobre a estrutura de poder do Irã após o assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei no primeiro dia do conflito. Vários outros importantes funcionários do governo e das forças armadas também foram mortos.

Há também pouca clareza sobre se o Irã permitirá imediatamente a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, bem como sobre como Israel responderia a qualquer acordo.

Os preços do petróleo caíram cerca de 5,5% na quarta-feira, com o Brent cotado a pouco menos de US$ 99 o barril às 10h15 em Londres, enquanto os investidores se agarravam a sinais de resolução da guerra. O preço de referência caiu em relação ao fechamento da semana passada, de US$ 112 o barril, devido ao anúncio de Trump sobre o início das negociações.

O Estreito de Ormuz

A hidrovia é uma rota de navegação vital para o comércio global de petróleo.

O jornal The New York Times foi o primeiro a noticiar a existência do documento de 15 pontos. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito na noite de terça-feira.

Não está claro se Israel, que desencadeou a guerra ao lado dos EUA com ataques ao Irã em 28 de fevereiro, aprovou as propostas de Trump. Autoridades israelenses afirmaram que continuarão atacando o Irã por enquanto.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu a Ron Dermer, um de seus confidentes mais próximos, que monitore as negociações entre os Estados Unidos e o Irã e assegure que os interesses do Estado judeu sejam respeitados. A nomeação demonstra a seriedade com que Netanyahu encara as negociações e a preocupação de seu governo com a possibilidade de os EUA optarem por um acordo que prejudique a segurança de Israel.

Matéria publicada na Bloomberg, no dia 25/03/2026, às 05:01 (horário de Brasília)