Perspectiva econômica da China em 2026: Como o avanço tecnológico impacta o Brasil
O crescimento do PIB da China em 2026 deve seguir aproximadamente a mesma taxa de 5% registrada em 2025. O ano será um período de transição econômica, com a gradual consolidação dos ecossistemas de manufatura de alta tecnologia, baseados na economia verde, digital e inteligência artificial (IA). Apesar de riscos e incertezas gerados por conflitos geopolíticos externos, essa consolidação ocorrerá em um ambiente macroeconômico interno favorável, apoiado por afrouxamento da política monetária e políticas fiscais expansionistas.
Para estimular o consumo interno, novas políticas voltadas à economia prateada transformarão o envelhecimento populacional em motor de demanda. A redução de tributos e o aumento da renda previdenciária estável elevam o consumo recorrente de serviços para pessoas acima de 50 anos. Setores como saúde, cuidados de longo prazo e turismo adaptado devem se expandir. A formalização desses serviços gera emprego e renda urbana, reduzindo a poupança preventiva das famílias e promovendo crescimento estrutural do consumo doméstico.
O setor de economia verde e tecnologia limpa (baterias, solar e eólica, entre outros) já representa mais de 10% do PIB, compensando a desaceleração do setor imobiliário tradicional. Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), a taxa média anual de investimento em P&D voltada à autossuficiência em tecnologia verde foi de 7%. Em 2025, a venda doméstica de automóveis foi de aproximadamente 26 milhões de unidades, sendo 15 milhões elétricos ou híbridos. A capacidade instalada de geração de energia solar e eólica atingiu 1.482 GW, superando a capacidade do carvão.
O crescimento acelerado do setor de IA também contribui para consolidar o novo modelo econômico chinês baseado em alta tecnologia. A IA não se restringe a grandes modelos de linguagem e serviços em nuvem, mas é aplicada comercialmente em produtos eletrônicos do dia a dia (como eletrodomésticos inteligentes) e no mercado corporativo (robôs comerciais e Indústria 4.0).
O setor de semicondutores é outro exemplo relevante. Em 2026, os chips devem contribuir ainda mais para o PIB da China, gerando alto valor agregado industrial. Em 2025, investimentos em fabricação de chips ultrapassaram US$ 38 bilhões, impulsionando capital fixo e emprego qualificado. A receita da indústria cresce entre 8% e 10% ao ano, acima da média industrial, e o setor já representa cerca de 7% a 8% da manufatura de alta tecnologia, sustentando aproximadamente 0,4 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB em 2025.
A própria dinâmica de mercado desses setores tecnológicos deve continuar impulsionando o crescimento no primeiro ano do 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A reestruturação mercadológica, com fusões e aquisições para evitar competição predatória entre empresas chinesas, deve aumentar margens de lucro e garantir mais investimentos futuros em P&D.
Segundo economistas chineses, em 2026 o Banco Popular da China (PBOC) poderá reduzir a taxa de juros em 0,25–0,50% e aumentar a oferta monetária para estimular a economia doméstica, caso a inflação continue baixa. Em 2025, a inflação ao consumidor deve ter ficado abaixo de 0,5%, e para 2026 espera-se entre 0,5% e 1%.
A taxa de câmbio do yuan (CNY), ou renminbi (RMB), deve permanecer relativamente estável em comparação com outras moedas internacionais. O RMB vem ganhando visibilidade e confiança entre investidores globais, principalmente diante da desvalorização do dólar americano (USD) e de outras moedas fortes, como o iene japonês (JPY).
A internacionalização do RMB também avança significativamente, não apenas no comércio internacional, mas no mercado financeiro global. Recentes emissões de títulos soberanos chineses em USD e EUR demonstram crescente confiança de investidores na estabilidade econômica e disciplina fiscal da China, bem como na sua integração financeira global.
Implicações para o Brasil
A consolidação do novo modelo de crescimento chinês, baseado em inovação tecnológica, deve gerar oportunidades para o Brasil em 2026 por três canais estruturais.
- Demanda por minerais críticos: O avanço da China em semicondutores, veículos elétricos e energias renováveis aumenta a demanda por lítio, grafite, níquel, cobre e terras raras, áreas em que o Brasil possui reservas significativas;
- Investimentos diretos chineses: A internacionalização das cadeias de suprimento tecnológicas chinesas deve estimular investimentos no Brasil em mineração, energia limpa, logística e manufatura verde, ampliando joint ventures, empregos e transferência de tecnologia;
- Expansão do consumo doméstico chinês: A crescente demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis cria espaço para o Brasil diversificar suas exportações, agregar valor aos produtos e serviços e reduzir a dependência de commodities tradicionais, inserindo o país de forma mais estratégica nas cadeias globais lideradas pela China.
Matéria publicada no portal MoneyTimes, publicada no dia 05/01/2026, às 11:49 (horário de Brasília)
