Petróleo cai 6% com tarifas de Trump, OPEP+ acelera aumentos de produção
Os preços do petróleo caíram 6% na quinta-feira, com a Opep+ acelerando a descontinuação dos cortes na produção de petróleo em maio, agravando as perdas já pesadas após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de novas tarifas abrangentes na quarta-feira.
Os futuros do Brent caíam US$ 4,51, ou 6,02%, para US$ 70,44 o barril às 09h21 (horário de Brasília). Os futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caíam US$ 4,63, ou 6,46%, para US$ 67,08.
Oito países da OPEP+ concordaram em avançar com seu plano de aumento da produção de petróleo, agora com o objetivo de devolver 411.000 barris por dia ao mercado em maio, ante 135.000 bpd planejados inicialmente, concordou o grupo em uma reunião de ministros na quinta-feira.
“Acredito que haja alguma confiança dentro do grupo de que o mercado pode absorver barris adicionais em um período em que a demanda aumenta sazonalmente, mas também que o aumento da oferta seria menor devido a cortes de compensação e outras interrupções no fornecimento”, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.
Os preços do petróleo já estavam sendo negociados cerca de 4% mais baixos antes da reunião, já que os investidores reagiram às tarifas de Trump com preocupações de que a medida inflamaria uma guerra comercial global que restringiria o crescimento econômico e limitaria a demanda por combustível.
Na quarta-feira, Trump revelou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos importados para os Estados Unidos, o maior consumidor de petróleo do mundo, com impostos muito mais altos sobre produtos de dezenas de países.
O anúncio de tarifas dos EUA “provavelmente causará caos nas cadeias de suprimentos globais, ao mesmo tempo em que aumentará o risco de uma crise econômica no curto prazo, prejudicando a demanda por commodities essenciais”, disse o analista do Saxo Bank, Ole Hansen.
As importações de petróleo, gás e produtos refinados foram isentas das novas tarifas, informou a Casa Branca na quarta-feira.
Na quarta-feira, analistas do UBS cortaram suas previsões para o petróleo em US$ 3 por barril ao longo de 2025-26, para US$ 72 por barril, citando fundamentos mais fracos.
Agora, comerciantes e analistas esperam mais volatilidade de preços no curto prazo, já que as tarifas podem mudar à medida que os países tentam negociar taxas mais baixas ou impor taxas retaliatórias.
“As contramedidas são iminentes e, a julgar pela reação inicial do mercado, a recessão e a estagflação se tornaram possibilidades assustadoras”, disse o analista da PVM, Tamas Varga.
“Como as tarifas são, em última análise, pagas pelos consumidores e empresas nacionais, seu custo inevitavelmente aumentará, impedindo o aumento da riqueza econômica.”
Pesando ainda mais no sentimento do mercado, dados da Administração de Informação de Energia dos EUA mostraram na quarta-feira que os estoques de petróleo bruto dos EUA aumentaram surpreendentemente em 6,2 milhões de barris na semana passada, contra as previsões dos analistas de um declínio de 2,1 milhões de barris.
Matéria publicada na Reuters, no dia 03/04/2025, às 06:29 (horário de Brasília)