Petróleo deve registrar a maior alta semanal desde 2020 com a expansão do conflito no Oriente Médio
O petróleo bruto estava a caminho de registrar nesta sexta-feira seu maior ganho semanal desde a extrema volatilidade da pandemia de COVID-19 na primavera de 2020, devido ao conflito no Oriente Médio que manteve o transporte marítimo e as exportações de energia pelo vital Estreito de Ormuz paralisados.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram quase 22% esta semana, o maior salto desde maio de 2020, quando um acordo recorde de corte de produção da OPEP+ impulsionou a recuperação após as mínimas da pandemia. O petróleo West Texas Intermediate valorizou-se cerca de 27%, a maior alta desde abril de 2020.
Na sexta-feira, o Brent estendeu sua alta, subindo US$ 2,95, ou 3,45%, para US$ 88,36 por barril às 08:35 (horário de Brasília). O WTI subiu US$ 3,94, ou 4,86%, para US$ 84,95. Ambos os índices de referência foram negociados em seus níveis mais altos desde 2024.
Petróleo bruto a US$ 150 o barril?
O ministro da Energia do Catar disse ao Financial Times que espera que todos os produtores de energia do Golfo suspendam as exportações dentro de algumas semanas, uma medida que, segundo ele, poderia levar o preço do petróleo a US$ 150 por barril, de acordo com uma entrevista publicada na sexta-feira.
O preço do petróleo iniciou sua forte alta depois que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã no sábado, levando Teerã a impedir a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que movimenta cerca de um quinto do fornecimento diário global de petróleo.
Desde então, o conflito se espalhou pelas principais áreas produtoras de energia do Oriente Médio, interrompendo a produção e forçando o fechamento de refinarias e usinas de gás natural liquefeito.
“A cada dia que o Estreito permanece fechado, os preços vão subir”, disse Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS. “A crença no mercado era de que Trump poderia recuar em algum momento porque não quer preços altos do petróleo, mas quanto mais tempo isso demorar, mais claro ficará o quanto está em risco.”
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Reuters em entrevista exclusiva na quinta-feira que não estava preocupado com o aumento dos preços da gasolina nos EUA devido ao conflito, afirmando que “se subirem, subirão” e que a operação militar americana era sua prioridade.
Um funcionário da Casa Branca afirmou que o Departamento do Tesouro dos EUA deve anunciar medidas para combater o aumento dos preços da energia devido ao conflito, uma perspectiva que chegou a derrubar os preços em mais de 1% na manhã de sexta-feira.
As perdas diminuíram depois que a Bloomberg News noticiou que o governo Trump havia descartado, por ora, o uso do Departamento do Tesouro para negociar contratos futuros de petróleo.
Na quinta-feira, o Departamento do Tesouro concedeu isenções para que empresas comprassem petróleo russo sancionado, armazenado em navios-tanque, a fim de aliviar as restrições de fornecimento que forçaram refinarias na Ásia a reduzir o processamento de combustível.
As primeiras isenções foram concedidas às refinarias indianas, que desde então compraram milhões de barris de petróleo bruto russo, revertendo meses de pressão para que interrompessem as compras.
A empresa de rastreamento de navios Kpler estima que cerca de 30 milhões de barris de petróleo russo estejam disponíveis e carregados em embarcações no Oceano Índico, na região do Mar Arábico e no Estreito de Singapura, incluindo volumes em armazenamento flutuante.
Ainda assim, a recente alta dos preços é relativamente moderada em comparação com choques anteriores, como o de 2022, quando o ataque da Rússia à Ucrânia fez o preço do petróleo ultrapassar os 100 dólares por barril.
“É importante colocar essa movimentação em perspectiva: apesar da alta de quase 20% do petróleo bruto neste mês, o preço está atualmente apenas US$ 3,40 acima da média dos últimos quatro anos”, disse o analista da IG, Tony Sycamore.
Matéria publicada na Reuters, no dia 06/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)

