Produção de etanol crescerá 4 bilhões no Brasil

O setor bioenergético brasileiro se prepara para iniciar a safra 2026/2027 com uma projeção de produção recorde de etanol, acrescentando quase 4 bilhões de litros ao mercado nacional. Esse volume é comparável ao total de gasolina importado pelo Brasil em 2025, de acordo com anúncio feito pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).

O aumento na produção de etanol ocorre em um momento estratégico, marcado pela crescente volatilidade nos preços internacionais do petróleo, que já ultrapassou os 100 dólares por barril e se aproxima dos 120 dólares. Segundo Evandro Gussi, presidente da UNICA, o etanol tem um histórico de funcionar como um elemento estratégico energético e uma forma de amortecer momentos de instabilidade no mercado de petróleo.

“O etanol tem um histórico de funcionar como um elemento estratégico energético e um jeito de amortecer esses momentos de instabilidade no petróleo”, afirma Gussi. Ele lembra que essa estratégia nasceu na década de 70, justamente após um grande choque de petróleo, e desde então o Brasil construiu uma política energética que foi reforçada nos últimos anos com políticas públicas.

Benefícios econômicos para o consumidor

Os números apresentados por Gussi mostram que, desde 2003, quando foi introduzido no Brasil o carro flex, os consumidores brasileiros já economizaram mais de 140 bilhões de reais optando pelo etanol, sendo 5 bilhões apenas no ano passado. “Sobretudo nesses momentos em que a gente tem altas de petróleo, nesses momentos que a gente tem essa intensa volatilidade, é justamente quando mais o etanol contribui com o consumidor”, destaca.

Outro ponto importante mencionado é que a opção pelo etanol não gera impacto fiscal para o governo, sendo uma escolha direta do consumidor que possui um veículo flex. Atualmente, mais de 80% da frota brasileira é capaz de utilizar etanol, resultado de políticas públicas implementadas ao longo das décadas, especialmente nos últimos anos com programas como o Combustível do Futuro e o Mover.

Quanto à produção de açúcar, Gussi garante que o mercado tem condições de suprir a demanda, como já ocorreu na safra passada, mesmo com o aumento da produção de etanol. A expectativa é que o aumento na oferta de etanol proporcione uma alternativa viável aos consumidores em um momento de possíveis reajustes no preço da gasolina, funcionando como uma contramedida natural e estrutural frente à instabilidade do mercado internacional de petróleo.

Matéria publicada no portal da Fecombustíveis, no dia 17/03/2026, às 06:00 (horário de Brasília)