Rússia e Ucrânia trocam acusações de ataques a civis no dia de Ano Novo
Rússia e Ucrânia acusaram-se mutuamente de ataques contra civis durante o Ano Novo, com Moscou relatando um ataque mortal a um hotel em território ocupado no sul da Ucrânia, enquanto Kiev afirmou ter havido outro ataque generalizado contra seu fornecimento de energia.
Os relatos coincidem com intensas negociações supervisionadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de pôr fim à guerra que já dura quase quatro anos. Cada país afirma que o outro está fazendo todo o possível para influenciar suas opiniões e moldar o resultado.
“No Ano Novo, a Rússia deliberadamente provoca a guerra. Mais de 200 drones de ataque foram lançados contra a Ucrânia durante a noite”, escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy no Telegram, afirmando que a infraestrutura energética em sete regiões da Ucrânia foi alvo dos ataques.
A Rússia acusou a Ucrânia de matar pelo menos 24 pessoas, incluindo uma criança, em um ataque com drone contra um hotel e um café onde civis comemoravam o Ano Novo em uma área da região de Kherson, no sul da Ucrânia, controlada pela Rússia.
As Forças Armadas da Ucrânia, que acusaram a Rússia de matar muitos civis em seus próprios ataques contra cidades ucranianas, afirmaram que seus alvos eram estritamente militares e do setor energético, mas não fizeram menção específica aos relatos do ataque ao hotel.
Zelenskiy afirmou que os ataques russos durante o período festivo demonstraram que a Ucrânia não podia se dar ao luxo de atrasos no fornecimento de equipamentos de defesa aérea.
“Nossos aliados têm os nomes dos equipamentos que nos faltam. Esperamos que tudo o que foi acordado com os Estados Unidos no final de dezembro para nossa defesa chegue a tempo”, disse ele, sem dar mais esclarecimentos.
Russos alegam ‘crime de guerra’
Vladimir Saldo, governador da região indicado pela Rússia, afirmou que três drones ucranianos atingiram as comemorações em Khorly, uma vila costeira, no que ele classificou como um “ataque deliberado” contra civis. Ele disse que muitas pessoas foram queimadas vivas.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que, além dos 24 mortos, 50 pessoas ficaram feridas.
O comunicado afirmava que o ataque, assim como outros ataques com drones atribuídos à Ucrânia, visava “desviar a atenção dos fracassos das forças armadas ucranianas na linha de frente. O regime de Kiev está tentando provar sua viabilidade por meio de atos terroristas.”
Na segunda-feira, Moscou acusou Kiev de tentar atacar uma residência do presidente Vladimir Putin. Autoridades ucranianas e europeias afirmaram que o incidente não ocorreu, e também foi relatado que autoridades de segurança dos EUA concluíram que a Ucrânia não tinha como alvo a residência.
Um alto chefe militar russo entregou a um adido militar americano o que ele disse ser parte de um drone ucraniano contendo dados que, segundo ele, comprovavam que as forças armadas ucranianas haviam atacado a residência.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o ataque relatado na região de Kherson, nem as fotografias do que o serviço de imprensa de Saldo afirmou serem as consequências do ataque na quinta-feira. Saldo disse ter informado Putin sobre os detalhes do ataque.
As imagens mostravam pelo menos um cadáver visível sob um lençol branco. O prédio apresentava sinais de incêndio e havia o que pareciam ser manchas de sangue no chão. A agência de notícias russa TASS publicou um vídeo mostrando fragmentos de drones, alguns com inscrições em ucraniano.
Autoridades ucranianas relatam regularmente mortes de civis em decorrência de ataques aéreos russos, inclusive na cidade de Kherson, controlada pela Ucrânia e localizada perto da linha de frente.
O governador ucraniano da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que um homem foi morto e uma mulher de 87 anos ficou ferida nos ataques ocorridos na cidade na quinta-feira.
O vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Oleksiy Kuleba, afirmou que instalações ferroviárias foram atacadas em três regiões.
O Ministério da Defesa russo afirmou na quinta-feira que seus ataques atingiram alvos militares, bem como infraestrutura energética que, segundo o ministério, estava sendo usada para apoiar as forças armadas da Ucrânia.
Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, disse à agência TASS que os responsáveis pelo ataque ao hotel e seus comandantes devem ser alvejados.
Kherson é uma das quatro regiões da Ucrânia que a Rússia reivindicou como suas em 2022, uma ação que Kiev e a maioria dos países ocidentais denunciaram como uma apropriação ilegal de terras.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que as unidades de defesa aérea russas abateram 35 drones ucranianos nas últimas 24 horas. Ele relatou que não houve vítimas nem danos.
Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 01/12/2026, às 16:18 (horário de Brasília)
