Trump afirma que ‘armada’ dos EUA está a caminho do Irã

O presidente Donald Trump disse na quinta-feira que os Estados Unidos têm uma “armada” a caminho do Irã, mas espera não precisar usá-la, ao mesmo tempo em que renovou os alertas a Teerã contra o assassinato de manifestantes ou a retomada de seu programa nuclear.

Autoridades americanas, falando sob condição de anonimato, afirmam que o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres de mísseis guiados chegarão ao Oriente Médio nos próximos dias.

Um oficial afirmou que sistemas adicionais de defesa aérea também estão sendo avaliados para o Oriente Médio, o que poderia ser crucial para proteger contra qualquer ataque iraniano às bases americanas na região.

Os destacamentos ampliam as opções disponíveis para Trump, tanto para melhor defender as forças americanas em toda a região em um momento de tensões, quanto para tomar qualquer ação militar adicional após o ataque a instalações nucleares iranianas em junho.

“Temos muitos navios indo naquela direção, por precaução… Eu preferiria que nada acontecesse, mas estamos monitorando a situação de perto”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, a caminho de volta aos Estados Unidos após discursar para líderes mundiais em Davos, na Suíça.

Em outro momento, ele disse: “Temos uma armada… indo naquela direção, e talvez não precisemos usá-la.”

Os navios de guerra começaram a se deslocar da região Ásia-Pacífico na semana passada, à medida que as tensões entre o Irã e os Estados Unidos aumentaram após a severa repressão aos protestos em todo o Irã nos últimos meses.

Trump ameaçou repetidamente intervir contra o Irã devido aos recentes assassinatos de manifestantes naquele país, mas os protestos diminuíram na semana passada. O presidente recuou de sua retórica mais dura na semana passada, alegando ter suspendido as execuções de prisioneiros.

Ele repetiu essa afirmação na quinta-feira, dizendo que o Irã cancelou quase 840 execuções por enforcamento após suas ameaças.

“Eu disse: ‘Se vocês enforcarem essas pessoas, vão sofrer um golpe muito mais duro do que jamais sofreram. Vai fazer com que o que fizemos com o programa nuclear do Irã pareça fichinha'”, disse Trump.

“Uma hora antes de essa coisa horrível acontecer, eles cancelaram”, disse ele, chamando isso de “um bom sinal”.

No passado, as forças armadas dos EUA enviaram periodicamente tropas para o Oriente Médio em momentos de tensões elevadas, ações que muitas vezes tiveram caráter defensivo.

No entanto, as forças armadas dos EUA realizaram um grande reforço militar no ano passado, antes dos ataques de junho contra o programa nuclear iraniano.

Trump afirmou que os Estados Unidos agiriam caso Teerã retomasse seu programa nuclear após os ataques de junho a alvos estratégicos.

“Se eles tentarem fazer isso de novo, terão que ir para outra área. Nós os atingiremos lá também, com a mesma facilidade”, disse ele na quinta-feira.

O Irã deve informar à agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que aconteceu com os locais atingidos pelos Estados Unidos e o material nuclear que se acredita estar lá. Isso inclui uma estimativa de 440,9 kg de urânio enriquecido a até 60% de pureza que, se suficientemente enriquecido, poderia ser suficiente para 10 bombas nucleares, de acordo com os critérios da AIEA.

A agência não verificou o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã por pelo menos sete meses, o que, segundo a própria entidade, deveria ser feito mensalmente.

Protestos se espalham no Irã

Não está claro se os protestos no Irã poderão ressurgir. Os protestos começaram em 28 de dezembro como manifestações modestas no Grande Bazar de Teerã, em protesto contra as dificuldades econômicas, e rapidamente se espalharam por todo o país.

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou ter verificado até o momento 4.519 mortes ligadas aos distúrbios, incluindo 4.251 manifestantes, e que outras 9.049 mortes estão sob análise.

Um funcionário iraniano disse à Reuters que o número de mortos confirmados até domingo era superior a 5.000, incluindo 500 membros das forças de segurança.

Questionado sobre quantos manifestantes foram mortos, Trump disse: “Ninguém sabe… Quer dizer, são muitos, independentemente de qualquer coisa.”

Matéria publicada na Reuters, publicada no dia 23/01/2026, às 00:08 (horário de Brasília)