Petróleo cai 7% com previsão de Trump de desescalada no Oriente Médio
Os preços do petróleo despencaram 7% nesta terça-feira, após atingirem a maior cotação em mais de três anos na sessão anterior, com o presidente dos EUA, Donald Trump, prevendo que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve , aliviando as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de petróleo.
Os contratos futuros do Brent caíram US$ 6,75, ou 6,8%, para US$ 92,21 o barril às 07:12 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou US$ 6,41, ou 6,8%, para US$ 88,36 o barril. Ambos os contratos chegaram a cair 11% mais cedo.
Trump afirmou na segunda-feira, em entrevista à CBS News, que considerava a guerra contra o Irã “praticamente concluída” e que Washington estava “muito à frente” do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas.
“Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada de alta ontem, acreditamos que há uma reação exagerada de baixa hoje”, disse Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank, acrescentando que o mercado estava subestimando os riscos para o Brent nesses níveis.
“Os preços do petróleo de Murban e Dubai ainda estão bem acima de US$ 100 por barril, então praticamente nada mudou em termos da realidade no terreno”, acrescentou, referindo-se aos preços de referência do petróleo do Oriente Médio.
Em resposta a Trump, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que “determinaria o fim da guerra” e que Teerã não permitiria a exportação de “um litro de petróleo” da região caso os ataques dos EUA e de Israel continuassem, informou a mídia estatal na terça-feira.
Enquanto isso, segundo diversas fontes, Trump está considerando flexibilizar as sanções petrolíferas contra a Rússia e liberar reservas emergenciais de petróleo bruto como parte de um pacote de medidas destinadas a conter a alta dos preços.
“As discussões sobre o alívio das sanções ao petróleo russo, os comentários de Donald Trump insinuando que o conflito poderia eventualmente diminuir e a possibilidade de os países do G7 explorarem reservas estratégicas de petróleo apontavam para a mesma mensagem: que os barris de petróleo de alguma forma continuarão a chegar ao mercado”, disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, em uma nota na terça-feira.
“Assim que os operadores perceberam que as rotas de abastecimento ainda poderiam ser mantidas, o ‘prêmio de pânico’ inicial que havia impulsionado os preços acima da marca de US$ 100 ontem começou a desaparecer, e os preços do petróleo recuaram rapidamente.”
O Goldman Sachs afirmou que, devido à situação ainda instável, não alteraria sua previsão para o preço do petróleo Brent em US$ 66 por barril no quarto trimestre de 2026 e para o WTI em US$ 62 por barril.
Os países do G7 afirmaram na segunda-feira que estavam preparados para implementar “medidas necessárias” em resposta à alta dos preços globais do petróleo, mas não chegaram a se comprometer com a liberação de reservas de emergência.
Matéria publicada na Reuters, no dia 10/03/2026, às 00:00 (horário de Brasília)