A Agência Internacional de Energia (IEA) afirma que a oferta global de petróleo deverá ficar abaixo da demanda este ano devido à guerra com o Irã
A oferta global de petróleo não atenderá à demanda total este ano, já que a guerra com o Irã está causando estragos na produção de petróleo do Oriente Médio, disse a Agência Internacional de Energia em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo nesta quarta-feira.
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, os danos subsequentes à infraestrutura petrolífera do Irã e de seus vizinhos do Golfo e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz causaram a maior crise de abastecimento de petróleo da história, fazendo com que os preços do petróleo disparassem.
“Com o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz ainda restrito, as perdas acumuladas de oferta dos produtores do Golfo Pérsico já ultrapassam 1 bilhão de barris, com mais de 14 milhões de barris (por dia) de petróleo atualmente paralisados, um choque de oferta sem precedentes”, afirmou a agência, que assessora os países industrializados.
Mercado de petróleo em déficit
As previsões da AIE indicam que a oferta ficará 1,78 milhão de barris por dia abaixo da demanda total em 2026, eliminando um excedente de 410.000 barris por dia projetado no relatório do mês passado e um excedente de quase 4 milhões de barris por dia em seu relatório de dezembro.
“Nossas estimativas mais recentes de oferta e demanda indicam que o mercado permanecerá com uma grave falta de oferta até o final do terceiro trimestre de 2026, mesmo supondo que o conflito termine no início de junho”, afirmou a agência sediada em Paris, acrescentando que o déficit no segundo trimestre poderá chegar a 6 milhões de barris por dia.
A previsão mais otimista da AIE (Agência Internacional de Energia) é de uma retomada gradual do tráfego pelo estreito a partir do terceiro trimestre, o que poderia levar o mercado a um “excedente modesto” no quarto trimestre, permitindo que os estoques esgotados comecem a se recuperar.
A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou que as perdas na oferta levaram a uma redução de 246 milhões de barris nos estoques globais de petróleo em março e abril, o que pode aumentar a volatilidade dos preços antes do período de pico da demanda de verão.
A AIE (Agência Internacional de Energia), composta por 32 membros, coordenou em março a maior liberação de petróleo da história, de 400 milhões de barris provenientes de reservas estratégicas, numa tentativa de acalmar os mercados. Segundo a agência, cerca de 164 milhões de barris desse total já foram liberados.
A oferta global de petróleo deverá cair cerca de 3,9 milhões de barris por dia em 2026 devido à guerra, afirmou a agência, reduzindo drasticamente sua previsão anterior, que projetava uma queda de 1,5 milhão de barris por dia.
A demanda também está sob pressão da guerra
A AIE (Agência Internacional de Energia) agora prevê uma queda na demanda de 420.000 barris por dia este ano, em comparação com a previsão anterior de uma queda de 80.000 barris por dia.
O consumo também está sob pressão devido à guerra, uma vez que os aumentos de preços levam à destruição da demanda e a um crescimento econômico mais lento, afirmou.
Os preços do petróleo sofreram poucas alterações na quarta-feira, com os contratos futuros do Brent cotados a US$ 106,93 às 08h05 GMT, uma queda de 84 centavos em relação ao fechamento anterior e um centavo acima do nível registrado às 07h59 GMT antes da publicação do relatório.
A AIE (Agência Internacional de Energia) afirmou que publicará suas primeiras previsões de oferta e demanda para 2027 em seu relatório de junho – um atraso em relação a abril causado pela guerra – enquanto seu relatório anual sobre petróleo de 2026 será adiado de 17 de junho, sem uma nova data definida para sua divulgação.
Mais tarde, na quarta-feira, a OPEP, entidade concorrente nas previsões, publicará seu próprio relatório mensal sobre o mercado de petróleo.
A OPEP reduz previsão de crescimento da demanda global de petróleo para 2026
A OPEP reduziu nesta quarta-feira sua previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026, juntando-se a outras entidades como a Agência Internacional de Energia.
A OPEP também elevou sua previsão de crescimento da demanda de petróleo para 2027, de acordo com seu relatório mensal sobre petróleo publicado em seu site.
Matéria publicada na Reuters, no dia 13/05/2026, às 03:04 (horário de Brasília)
