Petrobras vai reajustar gasolina e vê retorno à importação de diesel em junho
A Petrobras deve reajustar o preço da gasolina em breve, mas acompanha o comportamento das cotações do etanol para garantir que não vai perder mercado, indicou a presidente da estatal, Magda Chambriard, em teleconferência com analistas e coletiva de imprensa na terça-feira (12/5).
“Estamos tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no market share e na evolução no mercado de etanol. Vai acontecer já um aumento do preço da gasolina, mas temos que ter certeza de que esse mercado almejado permanece nosso”, disse.
Chambriard lembrou que nas últimas duas semanas houve um recuo nos preços do etanol no mercado brasileiro.
A estatal ainda não ajustou as cotações da gasolina desde o início do conflito no Oriente Médio, que levou a uma alta global no petróleo e derivados desde o começo de março.
Questionada se o Projeto de Lei Complementar (PLP) dos Combustíveis (nº 114/26) vai influenciar o reajuste, a executiva disse que é uma “ajuda”.
“O PLP ajuda, mas não ajuda a Petrobras, ajuda todos os players do mercado”, disse.
Retorno à importação
Além disso, a companhia também deve retomar a importação de diesel a partir de junho, em meio ao aumento sazonal da demanda pelo combustível.
“Para os meses de abril e maio não se identificou a necessidade de importação. Em junho, quando começar a época da safra e o aumento da demanda é crescente, provavelmente teremos que importar”, disse a diretora executiva de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano.
A executiva frisou que a companhia não deixou de atender a nenhum compromisso assumido nos últimos meses.
“Não existe falta de diesel, mesmo no mercado exterior. Se for necessário, vamos importar”, afirmou.
Chambriard reforçou que a atividade de importação não traz prejuízo à estatal.
“Não há qualquer prejuízo arcado pela Petrobras em qualquer ação para evitar a volatilidade de preço ao consumidor brasileiro”, disse.
Autossuficiência no novo plano de negócios
A Petrobras avalia incluir projetos no próximo Plano de Negócios que vão permitir ao Brasil refinar todo o diesel e a gasolina que consome até 2030, indicaram os diretores.
“Com a guerra, os resultados da companhia e a confiança que o mercado brasileiro tem na Petrobras, estamos avaliando a oportunidade de no nosso próximo Plano de Negócios atingir a autossuficiência”, disse a CEO.
“Muito provavelmente seremos capazes de entregar um parque de refino capaz de oferecer 100% da demanda de diesel”, acrescentou.
O próximo plano de negócios da estatal vai contemplar o período de 2027 a 2031 e deve ser divulgado em novembro.
Entre os projetos que devem contribuir para isso estão as ampliações das refinarias existentes, como a Refinaria Duque de Caxias e o segundo trem da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), previsto para entrar em operação em 2028, assim como o projeto do Complexo de Energias Boaventura (ex-Comperj), indicou o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos e de Transição Energética e Sustentabilidade, William França.
O executivo também destacou que a estatal segue ampliando o fator de utilização (FUT) das refinarias existentes. Em abril, o FUT foi de 102,5%.
“É o melhor resultado da história da companhia”, disse França.
Investimentos no México e na Venezuela
A Petrobras também avalia a entrada em ativos na Venezuela e no México, indicou Chambriard
Esta semana, uma delegação da companhia vai ao México para avaliar oportunidades de negócios, a partir de um diálogo aberto após um encontro da CEO da Petrobras com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Há interesse em parcerias com a estatal mexicana Pemex para aproveitar oportunidades de exploração e produção no Golfo do México, assim como no refino.
“O Golfo mexicano tem campos maduros, não tem apenas oportunidades de exploração, mas também de parceria em operação de campos maduros. Essa também é uma análise que vamos fazer junto com a Pemex”, afirmou.
Chambriard citou ainda possíveis sinergias entre a produção de gás na região e a atuação da Braskem no país, dado que a Petrobras tem 46% de participação na petroquímica.
“Temos todo o interesse de atuar na Braskem de forma muito mais assertiva, de forma a colher toda e qualquer sinergia do nosso parque fabril com a dinâmica petroquímica”, disse.
“Isso seria a cereja do bolo. Mas o que nós temos, por enquanto, são boas intenções no México, que ainda não se traduziram em uma realidade”, acrescentou.
Em relação à Venezuela, Chambriard lembrou que o país passou por mudanças recentes na regulação de modo a atrair investidores estrangeiros.
Por enquanto, as avaliações ainda são sobre as condições para os investimentos no país
“Em 2023 a gente estudou a Venezuela, nós temos um juízo de valor dentro da Petrobars sobre os ativos venezuelanos, então o próximo passo é entender a legislação que se apresentaram recentemente de que modo a gente pode atuar de forma que seja boa para o Brasil e para a Venezuela”, disse Chambriard.
Matéria publicada na agência Eixos, no dia 12/05/2026, às 17:32 (horário de Brasília)
